Com remodelação que vai "ao osso", carruagens compradas a Espanha vão começar a circular
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Com remodelação que vai "ao osso", carruagens compradas a Espanha vão começar a circular

Depois das 51 carruagens "arco", compradas à espanhola RENFE, a CP estuda a hipótese de comprar mais quatro, que estão encostadas em Málaga. Chegam já praticamente como sucata, a transformação vai "ao osso", mas saem das oficinas de Guifões, em Matosinhos, como novas, e toleram velocidades que podem chegar aos 200km/h, enquanto as portuguesas carruagens "Sorefame" apenas suportam velocidades até 140km/h. As primeiras três carruagens espanholas "arco", que servem de protótipo, estão praticamente prontas a circular.

Três das 13 linhas da oficina de Guifões estão ocupadas com as carruagens "arco", mas no lado de fora, no parque, percebemos facilmente a mancha branca de listas arroxadas e ainda as insígnias da RENFE. Estão em fila, à espera de entrar para uma reconversão total, pois a intervenção é profunda. "Neste caso, é mesmo ir até à carcaça, porque como são veículos de aço macio, as infiltrações têm de ser saneadas. É levar ao esqueleto e começar a trabalhá-lo", explica Manuel António Pereira, o diretor das oficinas de Guifões, que reabriram em janeiro de 2020.

Estas oficinas tinham sido fechadas em 2011, decisão do governo de Passos Coelho, e aquando do encerramento, foram colocadas em Contumil, onde tinham apenas três linhas de trabalho. Seria impossível, naquele espaço, concretizar a reparação de material circulante que a CP tem em mãos. Ainda menos, o acrescento que as 51 carruagens espanholas trouxeram. Na reportagem áudio consegue ouvir Manuel António Pereira a explicar o estado de reparação avançado em que estão já algumas carruagens.

Destas 51 carruagens, 36 permitem atingir velocidades até 200km/h e 15 suportam velocidades até 160 km/h. Manuel António Pereira diz à TSF que, quando estiverem prontas, se destinam ao serviço regional e inter-regional da linha do Minho, mas assegura que, "à medida que for havendo outro material para fazer o Minho, estas passam para o longo curso".

Ao lado das agora portuguesas "arco" está também a ser remodelada a última carruagem Schindler, que vai para a linha do Douro e foi pintada de azul, a cor original.

Em outras duas linhas, estão duas composições que se destinam à ferrovia de bitola métrica, a via estreita do Vouga, melhorando as composições do Vouguinha.

Saímos da oficina principal para o parque exterior, onde estão em fila de espera as carruagens "arco". Manuel António Pereira, na reportagem áudio, descreve os trabalhos que estão a ser feitos.

Azul e branco para primeira classe, vermelho e branco para as carruagens de 2ª classe

Depois de devidamente impermeabilizadas e de preparadas para pintar, entram na cabina de pintura, de onde saem com as cores descritas e com verniz anti-graffiti.

Estas carruagens vão sair com maior conforto, ligações USB, sistema de informação ao passageiro e adaptadas para o transporte de bicicletas (nas carruagens mistas, que eram as carruagens de bar da RENFE). As carruagens vão sair em conjuntos de três: uma de primeira classe, outra de segunda e outra mista, destas que leva bicicletas.

De regresso à oficina principal, a pergunta final: Quanto tempo para termos todas as 51 carruagens em circulação na ferrovia nacional? "A cada dois meses, três novas carruagens arco em circulação", garante. As primeiras três "demoraram mais tempo porque são protótipos", mas, neste momento, estão praticamente a entrar em velocidade cruzeiro.

As oficinas de Guifões foram criadas em 1993 e depois encerradas em 2011, quando o governo da altura decidiu recorrer ao aluguer de automotoras a Espanha, pelas quais o Estado paga, todos os anos, cerca de sete milhões de euros. Basta fazer as contas. Em dez anos que estiveram de porta fechadas, perfaz cerca de 70 milhões de euros: um comboio novo ronda os dez milhões. Neste tempo de aluguer de automotoras a Espanha, Portugal já poderia ter comprado, pelo menos, sete novos comboios.

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