Covid-19. Pelos menos 1,5 milhões de portugueses em risco de doença severa

Mais de 900 mil são mulheres e acima de 600 mil homens. Estudo admite que podem ser, no entanto, muito mais pois contaram-se apenas os doentes crónicos com mais de 65 anos.

Pelo menos um milhão e meio de portugueses, entre os idosos, têm um elevado risco de doença severa se forem contagiados com o novo coronavírus.

A conclusão é de um estudo acabado de publicar que olhou para a idade da população mas também para as suas doenças crónicas que segundo os médicos agravam o risco.

O trabalho, assinado por Pedro Laires e Carla Nunes, ambos da Escola Nacional de Saúde Pública e a última uma das epidemiologistas nas reuniões entre Governo, Presidente da República, oposição e especialistas, segue uma metodologia que os próprios autores consideram "restritiva".

Apenas são tidos em conta os portugueses com mais de 65 anos que no último Inquérito Nacional de Saúde (feito em 2014) tinham revelado uma de cinco doenças crónicas habitualmente consideradas um fator de risco para a Covid-19: hipertensão, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crónica, doença cardiovascular e cerebrovascular.

Os resultados revelam que cerca de 15%, ou seja 1,560 milhões de pessoas, possam estar em elevado risco de complicações por Covid-19 devido à idade e a condições crónicas pré-existentes.

A grande maioria, 932 mil, são mulheres e 628 mil homens, algo que os autores associam à maior esperança de vida delas em comparação com a deles.

Dos potenciais doentes com maior risco, no topo os 33,7% que vivem na região Norte, 26,2% em Lisboa e Vale do Tejo e 24,9% no Centro.

Recorde-se que, segundo os últimos dados da Direção-Geral da Saúde, 1.637 dos 1.717 mortos registados até agora por Covid-19 em Portugal, algo como 95,3%, tinham mais de 60 anos.

O novo estudo de Pedro Laires e Carla Nunes conclui que "há um número considerável de portugueses que se encontra em elevado risco de doença severa em caso de infeção Covid-19" e que os resultados devem encorajar as autoridades de saúde a proteger aqueles que estão mais frágeis e vulneráveis nesta pandemia, evitando assim o eventual colapso do sistema de saúde.

Contudo, os autores admitem que usam uma metodologia conservadora que pode subestimar o real número de população em situação de maior risco.

Numa análise menos restritiva que contabiliza toda a população idosa com mais de 65 anos (e não apenas os idosos com uma das cinco doenças crónicas) e qualquer pessoa mais nova com uma das cinco doenças crónicas a população portuguesa com maior risco em caso de contrair o novo coronavírus dispara para cerca de 3,7 milhões de pessoas.

Os autores do estudo publicado na Acta Médica Portuguesa (a revista científica da Ordem dos Médicos) recordam ainda que não tiveram em conta outras doenças que também aumentam o risco de complicações - por exemplo, entre outras, o cancro ou a obesidade severa.

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