Critério em concelhos pequenos deve ser alterado. Todos se conhecem e as pessoas "não arriscam"

Barrancos tem quatro casos de Covid-19. Com mais dois, atinge os 120 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias definidos pelo Governo como limite para não desconfinar. E quando um território tem menos de menos de dez pessoas por quilómetro quadrado? Os autarcas de Barrancos e Alandroal pedem a revisão da norma.

Um dos pequenos concelhos em que poucos casos de Covid-19 fazem soar de imediato as campainhas é Barrancos. João Nunes, presidente da Câmara de Barrancos, fez as contas, e são simples: neste momento, há quatro casos de Covid-19 no concelho. Mais dois contágios, é atingido o limite estabelecido pelo Governo.

"Há um pequeno foco, digamos assim, mas estamos a fazer testes", admite o autarca, falando à TSF das quatro pessoas com resultados positivos. "Em termos de confinamento e das regras atuais, basta termos mais duas pessoas, e, pronto, estamos no máximo", confirma João Nunes.

O Governo fixou como linha vermelha a métrica de 120 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, mas vários autarcas de concelhos mais pequenos têm vindo a opor-se a este limite. O que acontece, de acordo com João Nunes, é que, em geografias menos extensas, "as pessoas estão confinadas, estão naquele sítio, não saem de lá".

"Nestas comunidades pequenas em que os casos são conhecidos, o perigo de contaminação é mínimo, porque as pessoas ficam confinadas, e, por regra, respeitam. Como toda a gente sabe quem está com o problema, as pessoas não arriscam sequer a andar a fazer a sua vida." O autarca de Barrancos assinala que isto é o que se passa "ao longo do interior, de toda a raia", o que causa transtornos que a comunidade não entende.

O presidente da Câmara Municipal de Barrancos compreende que "tem de haver um indicador, tem que haver uma fórmula", mas defende que esta "deverá ser analisada profundamente quando se trata de concelhos com esta demografia".

Barrancos é um dos concelhos onde facilmente se pode atingir o limiar de risco definido pelo Executivo, um limiar definido por critérios que vários autarcas consideram injustos.

Alandroal também está nesta situação. Em declarações à TSF, o presidente da Câmara defende que os critérios de risco devem ser revistos, porque podem induzir em erro. João Grilo dá como o exemplo o concelho que preside e que tem uma área de 540 quilómetros quadrados para menos de cinco mil habitantes, o que representa menos de dez pessoas por quilómetro quadrado.

"Devíamos ponderar a possibilidade de ter mais alguma ponderação no critério de risco dos municípios, além da incidência cumulativa a 14 dias, que nos coloca sempre numa posição muito frágil, mesmo perante um pequeno surto", advoga João Grilo.

No concelho de Alandroal, um foco localizado num estaleiro duma empresa que está a desenvolver trabalhos na ferrovia chegou aos 28 casos. Neste momento, são apenas 16, e é expectável que os casos venham a diminuir com os novos testes no final da semana. "Bastam 12 ou 14 casos para que o concelho se mantenha num nível de risco que impede a próxima fase do desconfinamento", lamenta o autarca.

João Grilo admite que o critério foi até ao momento benéfico na definição de metas para poder desconfinar: "Ajudou-nos a chegar ao ponto em que estamos hoje." No entanto, o que o autarca alega é que, em territórios com grande área para uma baixa densidade populacional, o número estabelecido para todos os concelhos do país não tem a "expressão real do perigo" percebido pela população.

Na manhã desta terça-feira, o primeiro-ministro tem uma reunião por videoconferência com os autarcas dos municípios em que a incidência de Covid-19 está acima dos 240 casos por 100 mil habitantes. Trata-se dos concelhos de Alandroal, Carregal do Sal, Moura, Odemira, Portimão, Ribeira de Pena e Rio Maior. Estes concelhos correm o risco de não poderem desconfinar daqui a duas semanas.

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