De Lahti para Torres Vedras. Finlândia também oferece ajuda hospitalar a Portugal

"No início deste ano, chegámos a ter 160 profissionais ausentes"
Leonel de Castro/Global Imagens
O presidente da Câmara de Lahti, na Finlândia, já colocou à disposição de Portugal o envio de mais médicos e enfermeiros. O contacto foi estabelecido diretamente com o autarca de Torres Vedras, que conta à TSF o estado da epidemia na região.
Portugal continua a receber ofertas de ajuda externa para o combate à pandemia. A cidade de Lahti, na Finlândia, também está disponível para enviar médicos e enfermeiros para o território nacional, adianta à TSF Carlos Bernardes, presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras.
"Em relação a Torres Vedras, tivemos um contacto por parte do meu colega presidente da Câmara de Lahti", avança o autarca. "A Finlândia também se mostrou disponível para cooperar connosco, e passei logo essa informação ao Ministério da Saúde, para que possamos coordenar todas as operações", conta. A oferta visa assegurar um "reforço de recursos humanos, nomeadamente de médicos e enfermeiros".
Carlos Bernardes considera determinante que Portugal aceite a ajuda internacional, apesar de reconhecer uma certa acalmia em relação ao número de casos ativos de Covid-19 no concelho. Os nove surtos, em várias instituições, quer em lares, quer no hospital, estão estabilizados e a ser geridos, de acordo com o autarca, que garante que todos estão "a trabalhar afincadamente" e numa "estreita cooperação com o hospital de Torres Vedras".
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"Os números são já encorajadores, na medida em que tínhamos ultrapassado os 1500 ativos, e, com os dados ativos, estamos com 1200 pessoas com casos ativos", refere Carlos Bernardes. Na região foram ainda registados dois óbitos, o que aumenta o balanço de mortes para mais de 120 naquele território.
A Câmara de Torres Vedras espera que o Governo aceite a oferta do autarca finlandês, e os hospitais da região, apesar de registarem um período epidemiológico menos difícil, não rejeitam as ajudas, como confirma Elsa Baião, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Oeste, em declarações à TSF.
"No início deste ano, chegámos a ter 160 profissionais ausentes. Neste momento já só temos cem. Já é um número bastante mais tranquilizador." Durante o período de pandemia, foram contratados 193 profissionais, que ajudaram a colmatar as carências. Elsa Baião contou à TSF que as últimas semanas têm sido "muito duras", mas agora decorre uma fase de estagnação. "Já não temos uma afluência tão grande de doentes", assegura a responsável.
Mas também se assinala a alteração no padrão da doença e no perfil dos doentes infetados, com um agravamento entre os mais jovens.
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Com as bolsas de recrutamento de enfermeiros, disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, a situação já se encontra "controlada", apesar das dificuldades, "que têm sido muitas". A carência de recursos e a pressão assistencial têm sido uma constante, pelo que os profissionais de saúde têm trabalhado mais horas do que as previstas no horário normal.
"Nem sempre é fácil gerir os doentes em contexto de urgência, porque as situações são inesperadas", mas o hospital tem dado "a resposta necessária", também com a ajuda de outras unidades de saúde. Elsa Baião explica que, embora estas decisões não sejam "muito bem vistas pela população", não deixa de ser uma "segurança para todos saber que, não havendo capacidade instalada neste hospital, nós podemos transferir os doentes para outra estrutura que tenha mais disponibilidade naquele momento".
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