Exaustão e burnout. Há faltas graves de médicos e enfermeiros nos cuidados intensivos

Há riscos de exaustão e burnout. Comissão criada pelo Governo pede que se contratem centenas de enfermeiros, assistentes operacionais e médicos.

A Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva conclui que estes serviços têm faltas graves de recursos humanos: médicos, assistentes operacionais e, sobretudo, enfermeiros.

A comissão, nomeada pelo Governo, fez uma proposta para o futuro da Rede Nacional de Medicina Intensiva que foi agora colocada em consulta pública pelo Ministério da Saúde.

O documento faz o diagnóstico da situação pré-Covid e atual, traçando o caminho a seguir, sublinhando que, "nesta altura, os Serviços de Medicina Intensiva estão gravemente sub-dotados em termos de recursos humanos".

Situação que obriga a um "elevado recurso a horas extraordinários, custos acrescidos e risco de exaustão e burnout".

Camas fechadas

"Em múltiplos serviços da rede" a falta de profissionais "levou à necessidade de inactivação de camas, conduzindo a sub-rentabilização da infraestrutura existente e a oferta insuficiente para as necessidades de cuidados a doentes críticos".

Nos primeiros meses da pandemia a resposta só "foi possível pela utilização de médicos, assistentes operacionais e, sobretudo, enfermeiros de outras áreas hospitalares".

Agora, "a retoma dos restantes processos assistenciais exige, está a exigir, a libertação desses profissionais para as suas actividades normais", avisa a Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva, sendo "imperioso" encontrar recursos humanos, pedindo-se "urgência" nas soluções.

Centenas de enfermeiros, médicos e assistentes

Pelas contas da TSF à proposta feita pela Comissão para cada administração regional de saúde é indicado que se deve contratar 90 médicos, quase 600 enfermeiros e perto de 200 assistentes operacionais.

No ponto sobre as fragilidades da medicina intensiva em Portugal o documento destaca que "há muitos casos de obsolescência de equipamentos e de estrutura física em muitos serviços" desta especialidade.

Por outro lado, os médicos intensivistas são "escassos e envelhecidos".

País precisa de mais 293 camas

A proposta em discussão pública pretende aumentar de 626 para 919 (+46%) as camas de medicina intensiva no país até 2021.

A comissão refere, contudo, que a situação é, em quase todas as regiões do país, igual à que existia em 2016 quando foi feita e aprovada outra proposta para aumentar as camas na Rede de Referenciação de Medicina Intensiva.

Por exemplo, na região Norte "existiam, no final de 2019, 229 camas críticas ativas nos Serviços de Medicina Intensiva, o que significa que não tinha existido qualquer desenvolvimento no sentido do objetivo definido" em 2016, havendo mesmo "um menor número de camas críticas ativas do que em 2016, por carência de recursos humanos, nomeadamente de enfermeiros" - situação semelhante à vivida na região Centro e em Lisboa e Vale do Tejo.

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