Governo admite fechar fronteiras e impor quarentenas "se for absolutamente essencial"

A secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, revela, contudo, que os portugueses infetados têm tido um comportamento solidário e que não deverá ser necessário adotar medidas extremas.

O Governo garante que tem condições para impor a quarentena a pessoas infetadas pelo novo coronavírus, caso seja necessário, à semelhança do que já está a ser feito em Itália, onde polícias e militares vigiam os doentes em isolamento, para assegurar que a quarentena é cumprida. Contudo, a secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, diz confiar no comportamento dos portugueses e acredita que não será preciso adotar medidas tão extremas.

Em declarações à TSF, Patrícia Gaspar afirmou que os portugueses compreenderam que a chave para o combate à Covid-19 é "conter o vírus nesta fase, para que não haja um aumento exponencial [do número de infetados]".

"Estaremos em condições [de garantir quarentenas forçadas], mas estamos convencidos de que isso não será necessário", reforçou Patrícia Gaspar.

"Até aqui, todas as situações [de isolamento] que foram decretadas têm contado com toda a colaboração por parte dos portugueses", lembrou a secretária de Estado, destacando a "forma solidária e cooperante com que todos os visados têm reagido".

Há uma semana, foi ativada a equipa oficial da Comissão Europeia de resposta à Covid-19, composta por cinco comissários, cujo trabalho assenta em três pilares: a área média (medidas de contenção e previsão do surto), a mobilidade (transportes, viagens e questões relacionadas com o espaço Schengen) e a economia (análise de setores empresariais bem como cadeias de valor e impacto na macroeconomia).​

Patrícia Gaspar, que vai ser a interlocutora do Governo português para esta equipa, lembra que "todas as medidas que se venham a provar eficientes para a contenção do vírus terão que ser ponderadas" e admite que não está descartada a hipótese de Portugal encerrar as fronteiras.

"Neste momento, o fecho de fronteiras ainda não foi identificado como absolutamente essencial; se o for, é praticamente garantido que as autoridades o avaliarão e poderá ser essa uma das opções tomadas", referiu a secretária de Estado da Administração Interna.

Patrícia Gaspar entende que há lições a tirar do caso italiano, onde mais de 130 pessoas morreram e um total de 360 foram infetadas pelo novo coronavírus. "Há um trabalho enorme que tem de ser feito e que é fundamental ao nível da contenção e da preparação para enfrentar um desenvolvimento mais sério e mais complexo da situação", frisou.

"Sabemos que a contenção total é praticamente impossível, é muito difícil. Eventualmente, conseguiremos chegar ao ponto em que a situação se inverta. Para já, a grande aposta tem de ser em tentar travar a disseminação e, obviamente, tratar devidamente as pessoas que possam vir a ser contaminadas", referiu.

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