Há enfermeiros no combate à Covid-19 fora das listas para prémio prometido pelo Governo

O prémio de compensação aos enfermeiros corresponde a 50% do subsídio de férias e inclui dias de férias extra, mas há profissionais da área que não o irão receber por não terem sido incluídos na lista, assegura o Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses.

Há enfermeiros que estiveram envolvidos na mitigação da pandemia que não vão receber os prémios anunciados pela ministra da Saúde. Luís Mós, do Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses, garante que há profissionais de saúde que, apesar de cumprirem os requisitos previstos no decreto-lei, não serão visados pelo valor extraordinário.

"Durante o estado de emergência, que entrou em vigor em março, os profissionais de saúde estiveram sempre na luta, no
combate à Covid-19, portanto, continuamente, mais do que durante 30 dias (no decreto-lei constam também os descansos semanais e as folgas, isso também conta)", critica o sindicalista, que denuncia, em declarações à TSF: "Muitas urgências estão a ser excluídas deste tipo de subsídio."

Luís Mós afirma que há casos de enfermeiros não visados no hospital Amadora-Sintra e no hospital do Algarve. "Os enfermeiros que estão na urgência de Portimão não são abrangidos por este prémio, e estão na linha da frente", exemplifica o responsável. Também há enfermeiros de urgência de pediatria do hospital Amadora-Sintra não estão incluídos para atribuição do prémio, defende.

"Nós estamos aqui com doentes Covid, temos internamentos, inclusivamente, no Amadora-Sintra. Existe um internamento de grávidas com Covid." Luís Mós afiança: estes enfermeiros excluídos também fazem parte da linha de combate à pandemia. "Tratamos de colheitas, mudamos de fatos e equipamentos de proteção de quatro em quatro horas. Estamos na linha da frente, portanto não há motivos para não sermos incluídos."

O dirigente sindical lamenta a situação e fala mesmo de uma "injustiça", num momento em que os enfermeiros e os profissionais de saúde já se encontram "desmotivados e cansados", devido a um "combate que tem sido longo" que os obriga a fazer "turnos atrás de turnos", sem folgas.

"Com esperança de terem algum prémio, são surpreendidos porque não constam na lista de atribuição", lamenta Luís Mós.

O Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses pediu reuniões com caráter de urgência às administrações dos hospitais. O prémio de compensação aos enfermeiros corresponde a 50% do subsídio de férias e inclui dias de férias extra.

A TSF já pediu esclarecimentos aos hospitais e ao Ministério da Saúde. O hospital Amadora- Sintra salientou, em comunicado enviado à TSF, que o prémio de desempenho para profissionais de saúde do SNS "foi atribuído, e processado, no presente mês de dezembro", aos profissionais que "praticaram, de forma continuada e relevante, atos diretamente relacionados com pessoas suspeitas e doentes infetados por SARS-CoV-2, no período compreendido entre 19 de março e 2 de maio". Foram ao todo entregues 580 prémios, ressalva a instituição. Mas o hospital não exclui a hipótese de mais profissionais de saúde virem a ser abrangidos.

"Encontram-se em análise, (...) situações residuais que, a verificarem-se como elegíveis, serão, necessariamente, regularizadas no processamento salarial de janeiro de 2021", assegura o hospital, em comunicado.

Também o Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve respondeu à TSF e admitiu que, apesar de terem sido detetadas 500 situações para atribuição de prémio, "tendo em conta o curto espaço de tempo até ao fecho do processo de levantamento, a 9 de dezembro, já estava previsto que eventualmente alguns profissionais não fossem contemplados e que essas situações teriam que ser corrigidas posteriormente".

"O levantamento desses 500 profissionais foi efetuado com base nos registos existentes e é possível que, por lapso, tendo em conta a integração dos sistema informáticos operantes, alguns profissionais que têm todo o direito a receber o prémio não tenham sido incluídos."

* Atualizado às 13h42

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