O maior incêndio de 2018 pode ter nascido numa linha elétrica

Depois das suspeitas em relação à Lousã e a Pedrógão Grande em 2017, há sinais de que o maior fogo de 2018, em Monchique, também pode ter nascido em linhas de eletricidade.

O Observatório Técnico Independente criado pelo Parlamento para acompanhar as medidas de prevenção e combate aos incêndios florestais está preocupado com os fogos que nascem pelo contacto com linhas de eletricidade.

O alerta está no relatório, a que a TSF teve acesso, àquilo que se passou no grande incêndio de Monchique, o maior de 2018, que demorou uma semana a ser extinto. O documento foi esta quinta-feira entregue na Assembleia da República.

Apesar de formalmente a investigação policial em curso ainda dizer que é desconhecida a origem das chamas, o relatório afirma que "há fotografias iniciais em que são visíveis chamas próximo do local indicado [como sendo o do provável início do incêndio] e indícios que apontam para que a linha elétrica possa ter estado na origem do incêndio por haver no local árvores - essencialmente eucaliptos - com desenvolvimento suficiente para poder entrar em contacto com os cabos da linha elétrica, apesar da versão da EDP não apontar nesse sentido".

Proteção Civil estava alerta para ignições em linhas elétricas

O documento admite que o Observatório não tem funções de investigação criminal, mas faz questão de acrescentar que "de acordo com o Relatório Operacional Preliminar da Autoridade Nacional de Proteção Civil relativo a este incêndio o Comando Nacional de Operações de Socorro já estava alertado para a existência de ignições por linhas elétricas em Monchique, nos dias 30 de Julho, 1 de Agosto e 2 de Agosto".

"No dia 3 [dia em que surgiu o grande incêndio] terá havido uma 'reunião com o oficial de ligação da EDP e responsáveis pelas redes de baixa e média tensão, com o intuito de reforçar medidas preventivas e de antecipação, por forma a mitigar o risco'".

Críticas à investigação

Lamentando a falta de eficácia da investigação oficial num incêndio de grandes dimensões como este, o observatório com cerca de uma dezena de especialistas escolhidos pelo Parlamento diz que nada justifica que passados 9 meses não existam conclusões, acrescentando que "é no mínimo estranho que não exista ainda uma causa conhecida para um incêndio com as consequências que este teve".

"Em conclusão, muito embora não exista confirmação quanto à causa de origem deste incêndio em particular, as estatísticas sobre causas investigadas levam a encarar com grande preocupação as ignições causadas pela rede elétrica. Em particular as linhas que atravessam áreas com eucalipto deverão ser alvo de extrema atenção, devido ao rápido desenvolvimento em altura das árvores desta espécie, potenciando descargas por toque ou mesmo potenciando a danificação das linhas de transporte de energia".

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