Levantamento da máscara. "Devemos testar com prudência regresso à normalidade"

O virologista Pedro Simas defende que Portugal já deveria ter começado a levantar a obrigatoriedade de uso de máscara no espaço exterior, onde o risco é menor.

Tendo em conta a elevada taxa de vacinação e a imunidade natural, conseguida através das pessoas infetadas com Covid-19, o virologista Pedro Simas defende que não faz sentido "insistir no uso das máscaras, na população em geral, para mitigar incidência possível de infeções respiratórias de outros vírus. Temos que ser inteligentes e usar a máscara e outras medidas de prevenção se houver maior incidência de outros vírus respiratórios na população de risco. Sou a favor que na população em geral se comece a retirar as máscaras e nada melhor do que começar pelo exterior."

Pedro Simas defende que com a elevada de taxa de vacinação em Portugal algumas das medidas de desconfinamento previstas para setembro já podiam avançar. "Fazia sentido ter revisto algumas medidas já no inicio de agosto, porque a imunidade de grupo na sequência da vacinação evoluiu muito. Estamos em condições de começar a desconfinar, a testar com prudência o regresso a uma vida normal."

Pedro Simas acredita que o próximo outono, inverno será mais próximo da normalidade. O virologista sublinha que está mais preocupado com o vírus da gripe, que nos últimos dois anos ficou quase esquecido em termos de vacinação. "É muito importante que tenhamos um forte plano de vacinação, porque durante dois anos interrompemos o círculo natural dos outros vírus respiratórios. É muito importante que todos os anos existia uma percentagem da população infetada com gripe e outros vírus respiratórios para manter a imunidade de grupo. Isso foi interrompido e há expectativa se vai aumentar muito ou não a incidência destas infeções respiratórias."

O virologista reconhece que o uso de máscara ajuda a reduzir o vírus em circulação, mas defende que é preciso começar a testar o regresso à vida normal porque existirá sempre uma taxa de infeção. "Todas estas medidas de mitigação de transmissão do vírus SARS-CoV-2 têm impacto nos outros vírus respiratórios. Sabemos que para este tipo de infeções virais a circulação da infeção na população é muito importante para manter a imunidade populacional. A imunidade de grupo para estes grupos não bloqueia ou erradica a circulação do vírus na comunidade, esta é uma imunidade que tem efeito protetor sobre a infeção de outras pessoas mas não é absoluto. Mas vamos ter que aceitar que existe uma taxa de infeção que é normal para estes vírus."

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