Mais bispos terão ocultado queixas de abusos sexuais na Igreja. Padre denuncia 12 sacerdotes

Metade dos 12 sacerdotes denunciados agora por um padre está ainda no ativo. Comissão Independente que investiga abusos sexuais na Igreja Católica portuguesa já recolheu mais de 350 testemunhos de vítimas.

O bispo da Guarda, Manuel Felício, e o bispo emérito de Setúbal, Gilberto Reis, também são suspeitos de encobrimento de abusos sexuais na Igreja, havendo também outros casos, noticia esta sexta-feira o Expresso.

"Há pelo menos mais dois bispos que, além de Manuel Clemente, terão tido conhecimento de queixas de abusos por parte de padres e que não comunicaram essas suspeitas quer à Polícia Judiciária quer ao Ministério Público, as autoridades civis com competência para investigar este tipo de crimes", informou o semanário.

Tanto Manuel Felício como Gilberto Reis terão tido conhecimento de queixas de abusos por parte de padres, mas não comunicaram essas suspeitas às autoridades.

No caso de Manuel Felício, quando há quase 10 anos os pais de 17 menores do seminário decidiram avançar com uma queixa-crime à PJ por suspeitarem que os filhos eram alvo de abusos pelo padre Luís Mendes, o bispo ficou irritado e "aborrecido", escreve o Expresso.

No despacho da detenção, as autoridades deixavam claras as suspeitas de que em curso estaria uma "manobra de branqueamento de toda esta situação" por parte das mais altas instâncias da diocese da Guarda.

Luís Mendes foi detido, mas Manuel Felício continua a acreditar na sua inocência, mesmo depois de a sentença ter sido confirmada por dois tribunais superiores, incluindo o Supremo Tribunal de Justiça, em 2017. Segundo o Observador, o bispo visita-o regularmente na prisão e encoraja os padres da diocese a fazerem o mesmo.

Em Setúbal, foi Gilberto Reis, bispo desta diocese entre 1998 e 2015, quem recebeu queixas contra um padre que ainda hoje está no ativo. Numa resposta enviada ao semanário, a diocese diz que "existiu uma averiguação canónica organizada pelo bispo à data, com audição de todas as partes envolvidas, ou seja, o alegado perpetrador e as alegadas vítimas".

Enquanto essa investigação decorria, entre 2008 e 2015, o padre esteve suspenso, mas o "decreto emanado pelo Vaticano, após a conclusão do processo canónico, permitiu que o sacerdote em causa voltasse a exercer o seu ministério, com o ofício de pároco". A diocese admite que "não foi feita uma participação ao Ministério Público, tendo em conta as recomendações canónicas e civis que estavam e vigor à data", mas garante que "está empenhada" em promover um ambiente de segurança e cuidado dos mais novos e frágeis".

Padre denuncia 12 sacerdotes

De forma diferente agiu um padre que denunciou 12 sacerdotes por abusos de menores. Ouvido pelo Expresso e pela RTP, o pároco afirma que entregou ao Patriarcado de Lisboa, ao Ministério Público mas também à Comissão Independente, toda a informação que recolheu ao longo das últimas três décadas. Metade dos suspeitos permanece em funções na Igreja Católica portuguesa.

"Dei todas as informações de que dispunha sobre colegas meus que foram alvo de suspeitas de pedofilia. Mas ao longo dos últimos anos consegui reunir testemunhos de vítimas mais sólidos, sobretudo sobre três padres", contou o padre 'Cardoso' (nome fictício).

De acordo com o semanário, 'Cardoso' tem, por exemplo, na sua posse dois dossiês sobre dois padres, Inácio e Nuno, o primeiro já afastado da Igreja e o segundo ainda no ativo. O primeiro terá deixado um rasto de vítimas no Vimeiro (Alcobaça) e em duas paróquias em Lisboa. O segundo terá abusado de um jovem de 15 anos quando liderava a paróquia da Cruz Quebrada, em Oeiras.

Desde que foi criada, há seis meses, a Comissão Independente que investiga abusos sexuais na Igreja Católica portuguesa já recolheu 352 testemunhos de vítimas, que resultaram em 10 inquéritos abertos no Ministério Público, segundo o último balanço.

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