Marcelo lançou debate sobre sociedade que "já não é só de portugueses brancos, Silvas e Antónios"

Afrodescendentes aplaudem a mensagem contra a xenofobia e racismo promovida pelo Presidente da República e defendem que o primeiro passo para o debate está dado.

Foram palavras "muito necessárias" e no momento certo sobre uma sociedade que já não é composta só por "portugueses brancos, Silvas, Antónios e Sousas"​.​​​​​​ É assim que a Djass - Associação de Afrodescendentes, reage às declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, esta tarde, no Palácio de Belém deixou uma mensagem contra a xenofobia e o racismo, no rescaldo da medalha de ouro conseguida por Pedro Pablo Pichardo.

O Presidente da República realçou que "dos quatro medalhados, três são de origem direta ou indireta africana: um afro-cubano português, uma angolana portuguesa, outro são-tomense português" e que esse é um sinal de que "Portugal é grande quando consegue a integração efetiva" dos que chegam ao país, ao mesmo tempo que alertou os "tantos que aberta ou veladamente têm na cabeça fantasmas de discriminação étnico racial".

Na TSF, Evalina Dias, presidente da Djass - constituída em maio de 2016 para defender e promover os direitos das pessoas negras e afrodescendentes em Portugal, combater o racismo e reivindicar a igualdade -, deu conta de que está dado o primeiro passo para "o debate na sociedade portuguesa sobre quem é que é português, quem é considerado português de facto, que não está a ser feito".

"Na equipa olímpica que foi para Tóquio, dos 92, contei cerca de 14 que não têm origem étnica portuguesa branca, mas são portugueses. Temos pessoas de origem étnica asiática, africana e de outros países da Europa", assinalou a responsável. "Quem é que é português? Somos todos portugueses. As declarações do Presidente da República vieram mesmo no momento certo, é um debate que tem de ser feito."

Agora, defende, é hora de alargar o debate iniciado pelo chefe de Estado. Cabe agora a "outros órgãos com responsabilidade começar a fazer essa discussão", até porque, nota Evalina Dias, a sociedade portuguesa está a caminho de não ter noção da diversidade que a compõe.

"Notei pessoas de origem asiática, com nomes chineses, e achei interessante. A sociedade portuguesa já não é só portugueses brancos, os Silvas, Antónios e Sousas", assinalou a presidente da Djass, que aplaude a diversidade da equipa olímpica.

Por outro lado, a discussão a nível social "não está a ser feita porque algumas pessoas acham que uns são portugueses e que outros não são", numa construção feita pelos que se dizem "legitimamente portugueses".

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