Não há "santos milagreiros" na diplomacia. Santos Silva pede a todos para "controlarem a pandemia"

Augusto Santos Silva volta a apontar o dedo aos critérios invocados pelo Reino Unido para retirar Portugal da lista verde, e lembra que, sem um controlo sanitário de todas as partes, a diplomacia portuguesa não pode realizar milagres.

O ministro dos Negócios Estrangeiros garante que a diplomacia está a trabalhar para que Portugal possa voltar a acolher turistas, mas também deixa o aviso: sem controlo da pandemia, não há milagres.

Ouvido esta manhã no Parlamento, Augusto Santos Silva revelou que o Governo português foi informado com antecedência pelo Executivo britânico acerca da saída da lista verde das viagens de cidadãos a partir do Reino Unido. De resto, "o Governo britânico tem tido sempre a cortesia diplomática de informar, pelos canais diplomáticos e pelos canais políticos habituais, que existem entre os dois países, das decisões que toma".

No entanto, Santos Silva também reafirmou a crítica aos critérios invocados pelo Governo de Boris Johnson. "Perceberia que o Reino Unido tomasse uma decisão restritiva em relação a Portugal se a nossa taxa de positividade estivesse acima de um limiar definido internacionalmente, que é 4%. Não posso aceitar que o Reino Unido a tome dizendo que 1,2% é o dobro de 1."

"Ainda não é lei, por muito pós-moderno que uma pessoa ou um país queira ser", completou o governante. Se a alta prevalência é motivo para usar o travão de mão, Augusto Santos Silva diz não aceitar "que se considere como alta prevalência de mutações a identificação de 12 casos num país".

"Não fomos informados pelo Reino Unido da existência de variante da mutação nepalesa em Portugal, é exatamente ao contrário. Nós fornecemos a informação, seja diretamente ao Centro Europeu de Controlo de Doenças, seja diretamente a países que não pertencem ao espaço da União Europeia, e com os quais temos relações, designadamente de mobilidade humana intensa."

Na perspetiva do ministro, "os diplomatas portugueses são muito bons mas não são santos milagreiros". Por isso, impõe-se a necessidade de controlar a pandemia em regiões como Lisboa e o Algarve "se queremos que o trabalho diplomático tenha razão de ser".

Augusto Santos Silva também voltou a esclarecer a controvérsia gerada em torno das declarações de Angela Merkel, que tinha sido muito crítica da permissão de entrada a adeptos ingleses aquando da final da Liga dos Campeões em Portugal. "A senhora chanceler achava mesmo que nós devíamos ter proibido a entrada de britânicos, mesmo testados negativos à Covid, no Algarve, na Madeira, na generalidade do território português", recorda.

O ministro reforça que a líder alemã associou a final da Champions à subida de casos, mas que compreendeu onde se enganou, quando confrontada com a incidência do Porto e de Lisboa. "Quando o senhor primeiro-ministro mostrou que a Champions tinha-se realizado no Porto e os casos estavam a subir em Lisboa, a senhora chanceler, que é uma cientista doutorada em química e uma pessoa de grande estatura intelectual, percebeu que estava a laborar num equívoco", conclui o ministro.

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