No primeiro dia de confinamento, 60% das pessoas saíram à rua

No primeiro dia de confinamento, menos de 40% da população ficou em casa, e a empresa PSE, que faz estudos de mobilidade, não espera que os níveis de confinamento atinjam as percentagens de março ou abril.

No primeiro dia de confinamento, 60% da população portuguesa não ficou em casa, de acordo com os dados da empresa PSE, que faz estudos de mobilidade.

O analista de dados Nuno Santos afirma mesmo que as medidas do Governo tiveram um impacto muito reduzido no comportamento dos cidadãos. "O que tivemos foi um confinamento de 39,5% da população", adianta Nuno Santos, em declarações à TSF. Trata-se de um número reduzido, quando comparado com o "valor natural de confinamento", isto é, com as estatísticas dos dias que precederam o novo regime mais restritivo. "No dia anterior, o confinamento foi de 33%. Nós já sabemos hoje que existe uma fatia da população que está sempre em confinamento."

"O impacto do confinamento, pelo menos nesta sexta-feira, foi muitíssimo reduzido; isto, se quisermos comparar com os níveis de confinamento que tivemos em março e em abril", garante o analista de dados, fazendo referência a uma altura em que a média, em dias úteis, chegou aos 60% de confinamento, e o máximo se fixou nos 70%.

No primeiro dia das novas regras, houve apenas "ligeiro acréscimo" no confinamento, face aos níveis que já estavam a ser registados durante a semana, frisa Nuno Santos. O especialista em análise de dados adianta que a maioria das pessoas saiu à rua para trabalhar ou estudar.

A mobilidade foi similar em Lisboa e no Porto. As diferenças, assinala o analista de dados, estão nos sexos e nas idades, já que "foram os segmentos etários mais velhos os que tendencialmente mais confinaram" e "as mulheres confinam mais do que os homens".

Há, portanto, uma relação crescente entre a idade e o confinamento, e, nas áreas metropolitanas, "não houve diferença no confinamento, a mobilidade foi absolutamente idêntica, tanto no Porto como em Lisboa".

"Da população que esteve em mobilidade, que se deslocou, dois terços tiveram deslocações de longo curso, de uma mobilidade elevada, maioritariamente profissionais e académicas", refere o analista. Também se verificaram idas às compras e uma pequena mobilidade, bem como mobilidade "higiénica".

O especialista alerta que é preciso cautela a olhar para estes números, já que o novo confinamento está em vigor há apenas um dia. "O controlo da mobilidade será sempre reflexo do que são as próprias medidas. A mobilidade vai estar à dimensão das medidas."

"Neste momento, a expectativa é de que continuemos - obviamente temos de ter prudência para acompanhar, dia após dia, a reação dos portugueses, porque estamos a falar de medidas diferentes, com exceções diferentes - a não atingir os valores que conseguimos em março e abril", alerta, no entanto, Nuno Santos, que acredita que neste confinamento haverá menos pessoas a ficar em casa.

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