Noite Sangrenta foi há 100 anos. Mandantes nunca foram identificados

A Noite Sangrenta foi há cem anos. O golpe começou na manhã de 19 de outubro, mas ao fim da tarde, quando o novo poder parecia instalado, a situação descambou. A chamada camioneta fantasma espalhou a matança por várias zonas da cidade, da Almirante Reis ao Arsenal. O primeiro-ministro António Granjo, Machado Santos (o herói da rotunda), Carlos da maia e vários outros dirigentes republicanos foram passados pelas armas e, como sublinha o historiador Luís Farinha, o descontrolo poderia não ter acabado na manhã seguinte.

Os episódios vividos de 19 para 20 de outubro de há cem anos foram revividos nas instalações do Arsenal da Marinha numa visita guiada para a TSF pelo historiador Luís Farinha.

Até hoje não se sabe quem foram os mandantes desta noite sangrenta. Certo é que dois anos depois, em 1923, 21 responsáveis diretos pelos assassinatos seriam julgados e condenados a penas de prisão e de degredo. Os revoltosos comandados pelo cabo Abel Olímpio cercam o prédio onde morava o ex-primeiro ministro.

António Granjo foge pelos quintais que separam a avenida João Crisóstomo da Avenida Miguel Bombarda até à casa do amigo pessoal, mas inimigo político, Cunha Leal.

Ao final da tarde são ambos conduzidos ao arsenal da marinha. Cunha Leal era um político próximo dos golpistas.

Aceitou acompanhar o ex-primeiro-ministro até ao arsenal com a garantia de serem os dois postos em segurança num navio fundeado no Tejo. Mas o antigo diretor do Museu do Aljube explica que não foi isso que aconteceu depois de atravessarem o túnel que dá acesso à parada do quartel.

Carlos da Maia, antigo ministro da marinha, é outro dos alvos dos revoltosos.

Já a noite ia alta quando António José de Almeida decide entregar o governo ao coronel revoltoso Manuel Maria Coelho.

A camioneta fantasma avaria, mas nem assim as mortes pararam. Machado Santos, o "herói da Rotunda", no 5 de Outubro é morto na Almirante Reis.

O novo governo vai durar duas semanas. O heroico Tenente Coelho do 31 de Janeiro de 1891 no Porto será substituído por Leal da Cunha.

Dois anos depois, os responsáveis diretos pelos homicídios foram julgados e condenados a penas de 10 anos de prisão seguidos de outros 10 de degredo.

Em comum os cinco homens assassinados tinham o facto de terem tido responsabilidades no regime sidonista. Mas a lista era extensa. A posse do novo governo e o horror causado pelas mortes da noite anterior levam a que ao raiar do dia a violência abrande.

Da lista com 180 nomes faziam parte o antigo primeiro-ministro Tamagnini Barbosa (que chegou a ser preso) ou Alfredo da Silva. O patrão da CUF foi ferido a tiro quando fugiu para Espanha.

Quando era presidente da Câmara Municipal deChaves, Granjo foi responsável, em Trás-os-Montes, por repelir algumas incursões da monarquia do norte, lideradas por Paiva Couceiro.

De resto papel desempenhado por alguns dos mortos na Implementação da República e na resistência à monarquia do norte.

Tem alimentado teses a que Luís Farinha não adere. Seja como for, muitos investigadores sustentam que nesta noite foi dado o tiro de partida para o Estado Novo.

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