Números dos últimos dias podem antecipar pico da pandemia

Há previsões de epidemiologistas que apontam para fim de maio, como a que foi anunciada pelo Governo, mas outras, que seguem outro modelo, para abril.

A Ministra da Saúde, Marta Temido, disse, no sábado, que as últimas previsões colocavam o pico do novo coronavírus em Portugal no final de maio.

As medidas impostas estariam a ter sucesso, achatando o pico da curva da progressão da doença e afastando o pico da doença para mais tarde, numa boa notícia para a saúde pública que levanta, contudo, novas dúvidas sobre quando é que as medidas de distanciamento social poderão começar a ser levantadas.

No entanto, os números dos últimos dois dias, que registaram progressivamente aumentos mais baixos no número de casos, podem ter adiantado o pico em previsões que, como salientam os especialistas, estão longe de ser unânimes.

Manuel Carmo Gomes, um dos epidemiologistas que será ouvido esta terça-feira pelo Presidente da República e pelo Governo, em mais uma reunião semanal com especialistas para avaliar a evolução da doença, explica que há dois grandes grupos de modelos, que seguem duas metodologias completamente diferentes: uns apontam para o pico em abril e outros para maio.

"Aqui no meu computador as previsões muitas vezes são abril e não maio, mas eu compreendo que existam outras abordagens. Contudo, mesmo nos modelos que apontam para maio se as medidas de distanciamento fizerem realmente efeito essas previsões de repente andarão possivelmente para trás", detalha professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Últimos dois dias com boas notícias

O presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública também admite que "projetar a dois meses é difícil" e que "se as projeções estavam feitas com base nos números de há três dias entretanto os dados dos últimos dois dias certamente mudaram de forma relevante pois a expectativa era que os números continuassem a subir...".

Ricardo Mexia refere-se à subida progressivamente mais baixa no número de novos doentes com Covid-19: +21% no sábado, +15% no domingo e +7% na segunda-feira, esta última a subida mais pequena desde há mais de duas semanas e depois de muitos dias acima dos 30% de aumento diário.

Notícias que à partida parecem positivas, apesar de o especialista ainda ter dificuldade em ter a certeza se representam uma tendência sólida, ficando "na expectativa que continue".

Manuel Carmo Gomes sublinha que as previsões, em epidemias como esta, são altamente incertas e mudam, com frequência, várias vezes ao dia e por estas semanas ou meses irão mudar, certamente, várias vezes.

O alegado pico previsto para o final de maio, que a ministra referiu no sábado, pode já ter andado para trás no tempo, sublinha o epidemologista, referindo, tal como Ricardo Mexia, os números positivos dos últimos dias que parecem denotar uma tendência de descida no número de novos casos que tem de ser avaliada com cuidado.

Se as pessoas tiverem de facto aderido às medidas de distanciamento social, Manuel Carmo Gomes explica que é muito provável que o pico [mesmo se a curva for em planalto, como diz a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas] seja muito antes do final de maio, tal como prevêem vários especialistas

LEIA AQUI TUDO SOBRE A COVID-19

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de