O Orçamento da Saúde para 2021 pode ser o mais difícil

Marta Temido, a ministra da Saúde, não prevê facilidades, apesar da unanimidade em reforçar o SNS. A prioridade vai para os cuidados de saúde primários.

Os centros de saúde vão ser reforçados, aproveitando as verbas do programa europeu de recuperação económica.

Numa entrevista à TSF, a ministra da Saúde explica que os cuidados de saúde primários vão ter mais valências, especialmente na área do diagnóstico e na capacidade de os médicos de família visitarem doentes em lares e outros equipamentos semelhantes.

Marta Temido revelou, na TSF, que a preparação do Orçamento do próximo ano e do programa de recuperação económica - ambos com a meta de conclusão em outubro - foi iniciada nas últimas horas.

Outra prioridade será a conclusão da rede de cuidados continuados, que implica a construção de mais de cinco mil unidades, que serão geridas por privados ou pelo setor social, em serviços contratualizados com o Estado.

Apesar do consenso nacional quanto às necessidades de investimento do Serviço Nacional de Saúde, a ministra Marta Temido não dá como certo que a negociação interna das verbas orçamentais dentro do Governo, seja mais fácil este ano, em relação aos anteriores.

"Antes pelo contrário", sublinha a ministra, que acrescenta "pode ser o mais difícil".

Nesta entrevista à TSF, a ministra da Saúde descreve as dificuldades da negociação que já começou, a nível europeu, para a compra em bloco da futura vacina.

São negociações onde Portugal está representado pelo Infarmed, e cujas perspetivas são ainda pouco claras.

A ministra não arrisca dizer, por exemplo, quanto vai custar ao Estado a vacina, e se ela será incluída no plano nacional de vacinação ou se será gratuita.

Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, defende que todos os investimentos em centros de saúde são bem-vindos. "O investimento nos cuidados de saúde primários é bem-vindo, seja pelas verbas que vêm da Europa ou por outro meio do orçamento, é útil, esperado e necessário."

O representante da medicina geral e familiar garante: "Estamos exauridos." Em declarações à TSF, Rui Nogueira fala de uma "situação preocupante há anos" que se agravou durante a pandemia.

Não basta dizer que os médicos de saúde irão aos lares, é necessário um plano mais geral para a saúde, constata, com recurso a uma metáfora."Já temos os sapatos apertados nos nossos pés. Os nossos pés já estão inchados. Ainda acresce que nalguns casos nem há sapatos."

Veja, na íntegra, a entrevista a Marta Temido:

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