"Os sem-abrigo não têm tempo e não podem ficar em casa"

Nos últimos dias quase duplicaram os pedidos de refeição e a cidade do Porto só tem um balneário público aberto. O grupo Coração na Rua, que apoia pessoas sem-abrigo, diz que tem sido difícil responder a todos os pedidos de ajuda.

Por dia serviam uma média de 120 refeições e agora estão a servir 250, de segunda a sexta-feira passaram a estar na rua sete dias por semana. "As refeições começam a ser servidas às 18h30 e às 17h00 a fila já é muito grande".

Cristina Silva é administradora do grupo Coração na Rua, desde 2012 que apoiam as pessoas em situação de sem-abrigo da cidade do Porto. Começaram por ser quatro voluntários e hoje são 120. Por não terem os equipamentos de segurança necessários em março já não realizaram rondas e juntaram-se à Porta Solidária, cada vez é mais difícil responder a todos os pedidos.

"É revoltante a burocracia que ainda acontece, não há que marcar ou fazer atendimentos... uma pessoa para comer não tem que ir primeiro a uma assistente social, fazer a inscrição... não há tempo."

A câmara municipal do Porto criou um centro de acolhimento de emergência COvid 19 para pessoas em situação de sem abrigo. No total estão disponíveis 50 camas.

"O tempo que nos pedem a nós para ficar em casa, os sem-abrigo não têm... é burocracia atrás de burocracia... 40 camas? Dez camas? Não é uma solução."

Esta segunda-feira encerraram dois balneários públicos e só há um aberto em toda a cidade. "Vamos ter um perigo para a saúde pública, porque só com um balneário a funcionar é impossível que todos os sem abrigo do Porto estejam a utilizá-lo."

A responsável pelo Coração na Rua lamenta que apesar de a cidade estar vazia não existam pensões ou quartos disponíveis. Cristina Silva pede que todos liguem para o numero 144 sempre que identificarem um sem-abrigo, só assim podem deixar de ser invisíveis. "Nós estamos lá e vemos o que se passa... é um murro no estômago."

Hoje soube-se que a Ordem dos Médicos tem mais de 100 profissionais disponíveis para darem apoio telefónico às equipas que acompanham as pessoas sem-abrigo.

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