Passaporte de vacinação da Covid-19: ideia eficaz ou fonte de discriminação?

Não há consenso entre os eurodeputados portugueses acerca da criação de um livre-trânsito para quem está vacinado ou imunizado contra a Covid-19.

Esta segunda-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apontou a criação de um certificado europeu de imunização à Covid-19, que comprovaria a toma da vacina ou a testagem negativa ao coronavírus. Um documento deste género deverá ser aprovado, de modo a que possam ser retomadas as viagens entre Estados-membros europeus antes do verão. O assunto foi tema de debate, esta manhã, no Fórum TSF.

Para o eurodeputado social-democrata Paulo Rangel, a ideia faz sentido, mas considera que é preciso "minimizar as desvantagens e até os riscos" comportados.

Entre as desvantagens da ideia elencadas por Rangel, está a existência de um "duplo privilégio": pessoas vacinadas primeiro estão já em vantagem e poderão também "exercer direitos que outros não podem". O eurodeputado defende que aqueles que ainda não foram vacinados - ou que optaram por não ser - não podem ser discriminados.

Os socialistas também apoiam a ideia. A eurodeputada Sara Cerdas defende, no entanto, que é preciso "garantir, em primeiro lugar, a proteção da saúde".

"É uma boa notícia, uma boa medida para estimular o turismo e as viagens, mas não podemos descurar todas as outras medidas de proteção", disse Sara Cerdas

"Como ainda não sabemos se, ao estar vacinados, transmitimos ou não o vírus, temos de continuar com todas as medidas de segurança", frisa a eurodeputada, para quem é importante salvaguardar os sistemas de saúde.

Já para o eurodeputado comunista João Ferreira, este não é um assunto essencial. Há outros temas mais urgentes para debater, nomeadamente o atraso no plano de vacinação.

"Estamos com uma estratégia de vacinação que se revelou um fracasso, do ponto de vista do cumprimento das expectativas que foram criadas no final do ano passado. Tínhamos um calendário de progressão da vacinação que apontava para podermos alcançar a imunidade de grupo no final do verão e a verdade é que já toda a gente põe em causa essas metas - em alguns casos, elas são atiradas muito para lá dessa data", nota João Ferreira.

O eurodeputado critica a União Europeia por ter optado por uma estratégia "fundamentalmente assente em parcerias público-privadas com seis grandes laboratórios farmacêuticos, estando dependente única e exclusivamente daquilo que esses laboratórios conseguem fornecer". "É isso que está a impedir o avanço mais rápido da vacinação e era isso que nos devia estar a preocupar neste momento", afirma. "Devíamos estar a discutir estratégias alternativas em função deste fracasso."

Também o eurodeputado bloquista José Gusmão defende a discussão sobre a vacinação e não sobre a criação de um passaporte que abre caminho à discriminação face aos países mais pobres.

"Precisamos de resolver o problema da produção, não apenas para responder à questão da vacinação na Europa, mas para responder à questão da vacinação em todo o mundo", exaltou o eurodeputado.

José Gusmão considera que o "mais preocupante na ideia do passaporte das vacina" é que este "parece indiciar uma desistência na estratégia [de vacinação em todo o mundo], que é a única que pode vencer". O eurodeputado frisa que a Europa não pode vacinar a sua população e depois "fechar a porta", separando as pessoas em "cidadãos de primeira e cidadãos de segunda".

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