Patrícia Gaspar garante plano de contingência para Covid-19 no combate a fogos

Secretária de Estado não prevê "corte substancial nos efetivos para as ações de resposta" aos incêndios, mas diz que plano prevê esse risco. Dispositivo terá mais 500 operacionais do que em 2019.

A secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, garante que está a ser preparado um plano de contingência devido à pandemia de Covid-19 para o período de combate aos fogos florestais e salienta que não há, pelo menos para já, qualquer sinal de quebra no dispositivo.

Ouvida esta manhã no Parlamento pelos deputados da Comissão de Assuntos Constitucionais, Patrícia Gaspar salientou que, na preparação da fase mais complexa no que toca a incêndios, a pandemia de Covid-19 não está a ser ignorada.

"Não se estima neste momento que possamos ter um corte substancial nos efetivos disponíveis para as ações de resposta, temos um plano de contingência ao nível da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que inclui as autarquias e demais forças e serviços, que procura mitigar este risco", explicou Patrícia Gaspar. A secretário de Estado garantiu que os operacionais "estarão sempre devidamente protegidos" e que está a ser trabalhada uma estratégia "que privilegia o distanciamento, quer nos postos de comando, quer nos momentos das refeições".

Questionada pelos deputados, Patrícia Gaspar esclareceu que há menos de uma centena de casos positivos de Covid-19 nos corpos de bombeiros.

"Neste momento, temos a esmagadora maioria dos corpos de bombeiros a funcionar a 100% da sua capacidade operacional. Temos apenas dois corpos de bombeiros a trabalhar entre os 50% e os 75% e temos 98 bombeiros positivos para a Covid-19", referiu, afastando "constrangimentos de maior".

Patrícia Gaspar afirmou ainda que na fase máxima de empenhamento do dispositivo está previsto um aumento de cerca de 500 operacionais face ao último ano (serão, ao todo, 11827 operacionais, apoiados por 2664 viaturas e 60 aeronaves).

Este ano, registaram-se, pelas contas do Ministério da Administração Interna, 681 ocorrências até 14 de abril e um total de 747 hectares de floresta ardidos.

Em relação ao drama dos incêndios de 2017, a secretária de Estado disse aos deputados estar convencida de que se o que aconteceu em Portugal "tivesse acontecido noutro sítio, os resultados teriam sido os mesmos", até porque, acrescentou, "o risco zero não existe".

Patrícia Gaspar já adiantara também que, apesar do alargamento dos prazos para a limpeza dos terrenos, o país mantém vários instrumentos de prevenção aos incêndios florestais.

Durante uma audiência no Parlamento, requerida pelo PAN, sobre a limpeza de terrenos e prevenção contra incêndios no período da pandemia, a secretária de Estado salientou que, entre outras medidas, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) continua a trabalhar, que já está a decorrer a campanha "Portugal Chama", bem como a operação "Floresta Segura" da Guarda Nacional Republicana (GNR) - que fez mais de 3250 ações de sensibilização.

"Estão já identificadas 24 situações de incumprimento. Temos até dia 30 de abril para fazer um reforço expressivo, para garantir que se limpa o mais possível, e minimizar o impacto desta situação", apelou a secretária de Estado.

A partir de 1 de maio, os elementos da guarda vão começar a fiscalização, que se vai intensificar nos terrenos à volta das casas durante o mês de junho.

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