Pediatras defendem que norma para vacinação de menores é clara. Prescrição pode ser por telefone

O Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos defende que o aval dos médicos às famílias com crianças prioritárias à vacinação pode ser dado em modalidades de atendimento não presencial e saúda a clarificação da DGS. Já a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal sublinha que garantir a proteção de crianças com diabetes é vacinar todas as pessoas, adultos e crianças.

O presidente do Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos acredita que basta um telefonema para que as famílias das crianças cuja vacinação é prioritária recebam a prescrição médica de que precisam. A Direção-Geral da Saúde (DGS) já publicou a lista com as comorbilidades entendidas como de maior risco, para menores dos 12 aos 15 anos, e o presidente do Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos diz ser uma norma clara para médicos e pais.

Após vários dias de polémica e dúvidas, desde a conferência de Graça Freitas, na sexta-feira, Jorge Amil Dias confessa estar satisfeito com a nova clarificação da DGS que finalmente indica aos médicos o que devem fazer.

"A norma é muito clara, com grupos de doenças que necessitam ou que beneficiam da imunização imediata", garante o médico, que exemplifica: "Se eu for o médico responsável por uma criança com fibrose quística, em que conheço claramente qual é o quadro clínico, se a família me contactar telefonicamente, eu sei exatamente qual é a situação daquele meu doente".

Jorge Amil Dias diz mesmo que "não há necessidade de complicarmos o processo, quando o podemos simplificar", e que, uma vez que a emissão da prescrição é eletrónica, não é necessária uma consulta presencial. Agora há "um instrumento de referência claro e transparente para aplicar", uma ferramenta que servirá para "responder às angústias que as famílias possam ter", regozija-se.

O presidente do Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos admite, ainda assim, que possa haver, nos próximos dias, uma maior procura dos médicos, "como já aconteceu em várias outras situações".

"No meio de toda a tragédia que esta pandemia trouxe, e toda a agitação dos serviços de saúde, este é apenas mais um detalhe", constata, dizendo esperar que tudo decorra "da melhor maneira possível, dentro de todos os constrangimentos que nos vêm a acompanhar há mais de um ano".

Já a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal vê como uma "meia medida" a norma que inclui este grupo na lista dos prioritários. José Manuel Boavida, da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, vê com agrado a inclusão deste grupo na vacinação prioritária de crianças, mas reconhece que gostaria que a DGS fosse mais longe, numa medida que "fica por defeito".

"Todos conhecemos bem a grande vantagem da vacinação e a grande mudança que a vacinação está a trazer à pandemia de Covid. Sabemos que é preciso fazer chegar a vacinação à grande maioria da população para estarmos mais prevenidos, nomeadamente contra variantes." José Manuel Boavida sustenta: "Temos de ir mais longe. Não estou a ver como as crianças diabéticas têm os seus irmãos com idades próximas ou os seus colegas não-vacinados... Até para a sua proteção, se considerarmos que estas são crianças prioritárias na sua proteção".

No entendimento do responsável, os ambientes familiar e escolar devem assegurar esta proteção, o que significa que a vacinação deva ser "claramente" generalizada. Fica, por isso, um apelo ao Ministério da Saúde: "Não é com meias medidas que isto se resolve."

José Manuel Boavida fala numa "discriminação que esta situação introduz", e diz que será inevitável "acabar por vacinar todas as crianças".

O presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal alerta ainda que, se tal não acontecer, "pode haver efeitos, e esses efeitos muitas vezes não se vêem rapidamente". "[Não são efeitos] que se vejam a curto prazo, mas vamos vê-los na medida em que as amputações neste ano e no próximo ano possam vir a aumentar."

Portugal tem, por esta altura, perto de 70% de pessoas inoculadas com a primeira dose da vacina, o que se traduz em aproximadamente 7 milhões de pessoas. O mais recente relatório de vacinação da Direção-Geral da Saúde mostra também que quase 6 milhões de pessoas têm a vacinação completa; são 57 em cada 100 habitantes em Portugal.

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