Corrupção, abuso de poder, tráfico de influências. PJ faz buscas na Câmara de Lisboa

As operações estão relacionadas com vários processos de obras municipais.

A Polícia Judiciária (PJ) fez, esta terça-feira, buscas nas instalações da Câmara Municipal de Lisboa, no Campo Grande e Paços do Concelho. A informação foi confirmada pela autarquia em comunicado.

Numa nota enviada à TSF, o município informa que "estas buscas resultaram de várias denúncias, incluindo participação ao Ministério Público pelo próprio Município na empreitada na Segunda Circular cancelada pela autarquia, a processos urbanísticos (Hospital da Luz, Torre da Av. Fontes Pereira de Melo, Petrogal, Plano de Pormenor da Matinha, Praça das Flores, Operação Integrada de Entrecampos, Edifício Continente, Twin Towers, Convento do Beato) e empreitadas: Segunda Circular, São Pedro de Alcântara e Piscina Penha de França".

As buscas foram feitas a pedido do DIAP. A Câmara de Lisboa acrescenta que "facultou toda a documentação e prestou toda a colaboração ao Ministério Público e PJ, como sempre acontece quando solicitado".

"Tanto a empreitada anulada pelo município na Segunda Circular, como a Torre de Picoas e Hospital da Luz, já tinha sido adiantado pela Procuradoria-Geral da República, estarem a ser alvo de investigação" em 2017, recorda a Câmara de Lisboa, presidida por Fernando Medina (PS).

Em 2017, o vereador com o pelouro do Urbanismo da Câmara de Lisboa era Manuel Salgado, que pediu demissão do cargo dois anos depois, tendo sido substituído por Ricardo Veludo.

Manuel Salgado foi vereador entre 2007 e 2019.

Buscas relacionadas com com suspeitas de abuso de poder e corrupção

De acordo com a PJ, as buscas relacionadas com a área do urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa prendem-se com suspeitas de crimes cometidos no exercício de funções públicas, inclusive abuso de poder e corrupção.

"Estarão em causa suspeitas da prática de crimes cometidos no exercício de funções públicas, relacionados com a área do urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa, nomeadamente, abuso de poder, participação económica em negócio, corrupção, prevaricação, violação de regras urbanísticas e tráfico de influências", anunciou a PJ, em comunicado.

Designada Operação Olissipus, a ação da PJ foi realizada no âmbito de oito inquéritos dirigidos pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Lisboa - 1ª Secção, através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, com o apoio da Unidade de Perícia Tecnológica e Informática, juntamente com Magistrados do Ministério Público.

Foram executados "28 mandados de busca, 10 buscas domiciliárias e 18 não domiciliárias, visando a recolha de documentação relacionada com suspeitas de práticas criminosas, sob investigação".

"A ação desenvolveu-se em Lisboa, Sintra, Cascais, Caldas da Rainha e Alvor, contando com a participação de seis magistrados do Ministério Público e de 90 inspetores e peritos da Polícia Judiciária", indicou.

As buscas da Polícia Judiciária na Câmara Municipal de Lisboa ainda não terminaram.

Notícia atualizada às 16h20

*com Lusa

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