Polícia manda retirar manjericos de papel e fitas em bairros de Lisboa

Autoridades apertam o cerco às comemorações do Santo António. Enfeites têm de ser reduzidos ao mínimo.

Num Santo António, em Lisboa, sem festas populares, a polícia prometeu e tem mesmo estado atenta e vigilante ao cumprimento das regras, apertadas, para evitar as comemorações, festas e arraiais.

Nos bairros de Alfama e da Graça têm-se registado várias ordens para retirar os habituais enfeites da época que associações, cafés, restaurantes e até moradores colocaram nas ruas. Por exemplo, manjericos de papel e fitas.

Na Casa Mocambo, um pequeno restaurante na Rua do Vale de Santo António, na Graça, a proprietária conta à TSF que só ontem, quinta-feira, teve três visitas da polícia, primeiro da PSP e depois da Polícia Municipal.

Mafalda Nunes quis celebrar a data dentro do restaurante, atraindo um máximo de 15 clientes, metade da lotação, garantindo que ainda foi mais rigorosa do que as regras da Direção-Geral da Saúde (DGS). Santo António sem cor não existe e, por isso, colocou uns enfeites à porta.

"O restaurante ontem estava vazio, não tínhamos clientes, mas tínhamos uns manjericos de papel e uma fita amarela dos santos populares para assinalar a data e tornar a rua um pouco mais colorida, mas até isso o polícia disse que era preciso retirar", conta.

A responsável do restaurante não compreende a ordem, estando convencida que não estava a violar nenhuma lei.

O argumento da polícia era que a fita amarela e os manjericos (de papel) iriam atrair "multidões", diz Mafalda Nunes, que ontem, quando ainda não tinha retirado esses adereços, tinha apenas "moscas" dentro do espaço: "Clientes não existem".

Não muito longe da Graça, em Alfama a Associação do Património e População de Alfama confirma que também neste bairro histórico de Lisboa a polícia tem mandado retirar as decorações das ruas.

A presidente da associação, Lurdes Pinheiro, explica o que tem visto nos últimos dias: "Assisti à polícia a informar uma sociedade que não podia ter as decorações como estavam, temendo que chamassem a atenção", algo que também aconteceu noutras coletividades.

Alguns moradores também decoraram as ruas com fitas de um prédio ao outro, mas também estas, entretanto, desapareceram, ficando apenas as decorações nas varandas ou nas janelas, relata a representante da população.

Lurdes Pinheiro explica, contudo, que os moradores compreendem e aceitam bem as ordens da polícia: "Percebem os argumentos pois a ideia é evitar concentrações de pessoas em zonas decoradas pensando que nesses sítios pode existir um arraial".

A Associação do Património e População de Alfama admite que estas regras vão ter, no entanto, efeitos negativos nas coletividades que nestas festas costumam ter rendimentos para o resto do ano.

Lurdes Pinheiro acrescenta que este ano nem os santos populares ajudam as coletividades de um bairro, Alfama, vazio de moradores e cheio de alojamentos locais vazios, sem turistas, nestes tempos de pandemia.

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