Portugal gasta 8,4 mil milhões de euros por ano por causa da violência de género

O Instituto Europeu para a Igualdade de Género fez as contas e apurou os custos da violência de género: 56% da fatia vai para o impacto físico e emocional, seguido do custo nos serviços de justiça criminal, com 21%, e, ao nível da economia e do trabalho, perde-se 14% do valor global que é de 8400 milhões de euros, um impacto que pode ser comparado da seguinte forma: é o mesmo que três fábricas da Autoeuropa deixarem de produzir.

A violência de género custa aos países europeus mais de 366 mil milhões de euros anualmente, estima o Instituto Europeu para a Igualdade de Género, segundo o qual em Portugal esse valor rondará os 8,4 mil milhões de euros.

De acordo com o estudo do Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE, na sigla em inglês), divulgado esta quarta-feira, a estimativa de custos com a violência de género será de 366.322.108.190 euros por ano, no global dos 27 Estados-membros da União Europeia.

"A violência contra as mulheres representa 79% deste custo, chegando aos 289 mil milhões de euros", refere o instituto.

Especificamente no caso de Portugal, o EIGE calcula que a violência de género custe todos os anos 8,4 mil milhões de euros, 6,68 mil milhões dos quais referentes à violência de género contra as mulheres.

A análise do EIGE abrange também o custo da violência em contexto de relações de intimidade, que, em Portugal custa 4,04 mil milhões de euros por ano, sendo que dentro desse valor 3,49 mil milhões dizem respeito a casos de violência contra mulheres.

No global dos 27 países da União Europeia, a violência em contexto de relações de intimidade custa quase 175 mil milhões de euros por ano, 86,8% dos quais referentes a casos contra mulheres, ou seja, quase 152 mil milhões de euros.

De acordo com o EIGE, estes resultados são um terço mais elevados do que os da estimativa anterior.

"O novo estudo do EIGE desconstrói os diferentes custos da violência de género, com o maior custo a ter origem no impacto físico e emocional (56%), seguido do custo nos serviços de justiça criminal (21%) e nas perdas ao nível da economia (14%)", lê-se no documento.

Outros custos podem incluir serviços de justiça, por exemplo, no caso de divórcios ou de regulação de responsabilidades parentais, ajuda ao nível de habitação ou proteção das crianças.

O instituto europeu explica que fez os cálculos destes custos para a União Europeia e para cada Estado-membro tendo por base dados do Reino Unido que depois foram extrapolados para cada um dos casos.

Desta forma, "associa o custo da violência baseada no género em cada Estado-Membro da UE diretamente ao tamanho da sua população".

"Uma vez que o estudo do EIGE inclui uma revisão das metodologias existentes para calcular o custo da violência com base no género, os Estados-Membros da UE podem usar isso como um alicerce para conceber as suas próprias estimativas de custos internos", refere.

Acrescenta que para os países conseguirem fazer um cálculo mais exato dos custos da violência de género, precisam de informação mais detalhada dos serviços públicos, nomeadamente das forças de segurança ou dos serviços de justiça.

"Como a violência de género continua pouco denunciada, os países também precisam de dados para terem uma ideia real do número de vítimas", defende o EIGE, lembrando que a recolha detalhada de dados sobre as diferentes formas de violência de género "é uma obrigação ao abrigo da Convenção de Istambul, que todos os países da UE assinaram e 21 ratificaram".

Em comunicado, a diretora do EIGE sublinha que a vida humana, a dor e o sofrimento não têm preço, mas defende que conhecer o custo da violência pode ajudar os países europeus a canalizarem recursos financeiros para onde é realmente necessário e onde pode haver uma melhor relação entre custo e benefício.

"O dinheiro gasto no apoio às vítimas não é suficiente, com os serviços como as casas de abrigo a representarem apenas 0,4% do custo da violência de género", sublinha Carlien Scheele.

Defende ainda que os vários países têm de investir mais em ações que previnam a violência contra mulheres e protejam as vítimas, sublinhando que se trata não só de um imperativo moral, mas também de poupar dinheiro.

Prevenção seria mais barata

É mais caro tratar as vítimas de violência doméstica do que prevenir o fenómeno. É a Associação Portuguesa de Apoio à Vitima que deixa o sublinhado, depois de se saber que Portugal gasta por ano 8400 milhões de euros com a violência de género.

O dirigente da APAV, Daniel Cotrim, lembra, em declarações à TSF, que estes números vêm reforçar a aposta que deve ser feita na prevenção. "A violência doméstica tem custos muito grandes para a economia, isto é, apoiar uma vítima sai muito caro. A reação no apoio é mais cara quando pensamos nos gastos que podem ser feitos na prevenção."

Nos últimos anos, contudo, Portugal tem apostado em mecanismos preventivos, como é o caso da educação, salienta Daniel Cotrim.

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