Quase cem comandantes de bombeiros pedem escusa de responsabilidade em caso de incêndio florestal

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses quer discutir o assunto com Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa. Ouvido pela TSF, António Nunes mostra-se preocupado com as ambulâncias que ficam retidas nos hospitais e adianta que a Liga vai reunir-se com o INEM para insistir num plano prévio de utilização das viaturas.

Cerca de uma centena de comandantes de bombeiros pediram escusa de responsabilidade em caso de incêndios florestais. A sugestão tinha sido feita pela Liga de Bombeiros Portugueses, na sequência do julgamento de um comandante pelos incêndios em Pedrógão Grande. O presidente da Liga, António Nunes, adianta à TSF que cerca de cem comandantes já avançaram com o pedido de escusa.

"Nós temos a indicação que cerca de cem comandantes já assinaram o pedido de escusa. O que não quer dizer que todas tenham chegado aos centros distritais da Proteção Civil e é preciso entender que nós estamos a falar de declarações de escusa ao nível das associações e ao nível dos comandantes. O que é que isto quer dizer? Pode haver declarações em que são assinadas pelos dois e, portanto, abrangem a parte operacional e a parte do registo e há outras que podem ter só a parte logística ou só a parte operacional", explica.

O Correio da Manhã escreve que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil já recebeu cerca de 70 pedidos de escusa. Este é um dos temas que a Liga quer discutir com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa. As audiências foram pedidas na segunda-feira.

Contactada pela TSF, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil afirma que "até, ao momento, recebeu já cerca de 70 pedidos de escusa".

"Esta opção, previamente anunciada pela Liga dos Bombeiros Portugueses, não apresenta qualquer histórico e exigiu, pela sua sensibilidade e complexidade, o desencadeamento de um maturado processo de análise, quer do ponto de vista jurídico, quer operacional, o qual deverá estar concluído a muito breve trecho. A ANEPC mantém, designadamente através da sua estrutura operacional distrital, um permanente acompanhamento da situação, em estreita articulação com os corpos de bombeiros e respetivas entidades detentoras e informa que, até ao momento, não há a registar qualquer constrangimento", pode ler-se na nota.

O presidente da Liga está também preocupado com os efeitos do encerramento das urgências, que leva ao constrangimento de ambulâncias das corporações. A Liga reúne-se esta manhã com o INEM para insistir num plano prévio de utilização das ambulâncias.

"Desafiámos já o Ministério da Saúde a fazer um plano prévio de utilização de viaturas e, além de uma reunião que tivemos com o Ministério da Saúde, já tivemos uma reunião com o INEM e já tivemos uma reunião com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. Até ao momento ainda não conseguimos desbloquear essa situação e, por isso, nós hoje vamos ter uma nova reunião com o INEM e vamos "obrigar" a que esse plano surja sob pena de continuarmos a denunciar as situações que vão ocorrendo, não só nesta zona metropolitana de Lisboa, mas também em alguns concelhos do distrito de Setúbal", sublinha.

António Nunes identifica as zonas da Margem Sul que têm sido afetadas por limitações no transporte de doentes em ambulâncias dos bombeiros.

"No fim de semana e ontem estiveram encerradas as urgências para a área de obstetrícia e ginecologia do Montijo e Barreiro. Durante o fim de semana para a área da traumatologia em Setúbal e Garcia de Orta", conta, acrescentando: "Depois temos outro problema: a intermitência da informação não permite que os bombeiros tenham planeamento, porque tão depressa está a urgência aberta, como encerrada, e abre às 08h00 e depois fecha às 16h00, às 18h00 ou às 20h00. Cria-nos situações de verdadeiro desconforto operacional e isso reflete-se em quem nós servimos."

* Notícia atualizada às 10h37

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