"Se o vírus entra nos montes algarvios, prevejo que eles fiquem dizimados"

Autarca-médico de Castro Marim lembra as pandemias de gripe que mataram pessoas na serra algarvia e receia que o novo coronavírus possa lá chegar.

É autarca há 27 anos. Primeiro em Alcoutim, agora em Castro Marim. Embora exerça funções políticas há quase três décadas, considera-se acima de tudo um médico.

Exerceu medicina familiar há muitos anos na serra algarvia e viu a gripe matar pessoas. Nesta altura, receia pelos muitos idosos que vivem nos montes do seu concelho. "Este vírus é muito mais contagioso e letal do que o vírus da gripe", afirma.

Francisco Amaral tem medo que este vírus tão nocivo chegue à serra. "Espero que isso nunca aconteça, senão prevejo que esses montes possam ser dizimados", sublinha.

O presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, uma localidade que fica muito perto da fronteira com Espanha, explica que os presidentes de junta do município e funcionários da autarquia andam a entregar alimentos e medicamentos para que os idosos dos montes não saiam de casa.

"Andam a avisar as pessoas e a reconfortá-las", conta o autarca.

Francisco Amaral admite que a tarefa não é fácil, já que, toda a vida, os idosos que vivem nos montes "habituaram-se a ir à horta e a falar com os vizinhos". Por isso, por vezes, é difícil convencê-los a estarem em recolhimento.

O autarca, que até há alguns anos fazia voluntariado no Hospital de Faro, está já afastado das urgências. É também ele doente de risco e tem receio que o novo coronavírus o possa afetar, mas lamenta não estar no combate à pandemia. "Sinto-me um cobardolas. Gostaria de estar na linha da frente", diz.

Assim, noutra "frente de batalha", sem bata nem estetoscópio, tenta ajudar as populações, dando-lhes apoio como autarca.

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