Teste de imunidade em lares não é medida universal. "Faz todo o sentido vacinar com terceira dose"

Pedro Simas acredita que os lares de idosos devem ir à terceira dose da vacina, uma medida geral aplicável a todas as instituições, de seis em seis meses ou anualmente, até a pandemia estar resolvida.

O virologista Pedro Simas defende que os utentes dos lares de idosos devem ser vacinados com uma terceira dose da vacina contra a Covid-19, de ano a ano, ou de seis em seis meses.

Questionado sobre a possibilidade lançada esta sexta-feira pelas Misericórdias, de realizar testes de imunidade aos residentes, o investigador propõe que as autoridades de saúde adotem uma medida universal em todos os lares. "Mais importante do que fazer o teste serológico, para ver o tipo de anticorpos, é adotar uma medida que seja aplicada a todos os lares", advoga Pedro Simas.

"Faz todo o sentido vacinar os lares com uma terceira dose... Se ao fim de seis meses ou se ao fim de 12 meses, isso tem de ser determinado pela comissão técnica." Para o virologista, testar individualmente as pessoas "em termos serológicos" e recomendar a vacinação a casos individuais, dependendo da imunidade, é uma medida "complicada", por isso, "talvez faça mais sentido adotar uma medida universal, para que, de seis em seis meses, ou de ano a ano, nesta fase de terminar a pandemia e de alguma incerteza, se vacinem os grupos de risco, e os mais prioritários são os residentes dos lares".

Nos últimos dias, um lar de Proença-a-Nova detetou um surto com 127 infetados, com a vacinação completa. Foi registada apenas uma morte, de um utente com 91 anos. Pedro Simas recorre ao exemplo para garantir que "as vacinas são muito eficazes nos lares", como se pode constatar pelo número de óbitos nas instituições.

"As vacinas são extremamente eficazes, e, para demonstrar que são eficazes, basta demonstrar o que está a acontecer nos lares: há surtos, houve um surto num lar em Proença, que afetou mais de 120 pessoas, e só houve um óbito. Numa situação anterior, se não houvesse vacina, teria sido muito mais complicado", defende.

É por isso, sustenta o especialista, que a DGS e as comissões técnicas devem tomar uma decisão, avaliando o risco. Esta iniciativa já foi equacionada noutros países, e as razões estão à vista: o número de pessoas hospitalizadas "é significativamente menor" do que quando não havia vacinação, o que Pedro Simas caracteriza como "ótimas notícias". Ainda assim, ressalva, os idosos acima dos 70 anos mantêm-se como um grupo de risco, respondendo à vacinação de uma forma mais heterogénea, de acordo com o especialista.

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