Um milhão de portugueses, por dia, começaram a sair mais de casa nas últimas semanas

Transportes públicos durante o confinamento decretado durante o estado de emergência
André Luís Alves / Global Imagens
Notícias positivas sobre a Covid-19 e fadiga pandémica fazem com que seja cada vez mais difícil manter as pessoas em casa.
Há cerca de um mês que Portugal está com regras apertadas de circulação e movimentos, mas, com o passar do tempo, e sobretudo nas últimas duas semanas, o confinamento está cada vez menos confinado.
O Governo não quer ouvir falar em desconfinar e dificilmente isso acontecerá antes do final de março, mas é cada vez mais difícil manter os portugueses em casa.
Os sinais de desconfinamento foram referidos pelo representante do Instituto Nacional de Saúde (INSA) na última reunião do Infarmed e a PSE, uma consultora de análise de dados que desenvolveu uma tecnologia para analisar a mobilidade, confirma que também tem notado mudanças "ligeiras, graduais", mas "sustentadas e constantes", numa progressiva "erosão do confinamento, sobretudo nas últimas duas semanas".
Nuno Santos, especialista em análise de dados da PSE, detalha à TSF que, no início das atuais regras do estado de emergência, em janeiro, a taxa diária de confinamento rondava os 55%-56%. Aos poucos, a percentagem foi descendo e na segunda-feira chegou aos 48%, tendo atingido um mínimo de 43% na sexta-feira.
Ou seja, confirma o especialista, em média, estamos a falar de cerca de mais um milhão de pessoas a saírem atualmente por dia de casa - com naturais oscilações diárias.
Outro dado indica que, na primeira semana do atual encerramento das escolas, perto de 60% das pessoas que habitualmente já antes do confinamento circulavam continuavam a fazê-lo, valor que entretanto cresceu para 70%.
Os números atuais do confinamento são semelhantes aos que foram registados em maio de 2020, numa fase em que o país já começava a desconfinar da primeira vaga da pandemia.
Os dados da PSE também revelam que quem já começou a desconfinar é sobretudo os homens e as classes médias baixas, sem grandes diferenças entre regiões ou grupos etários.
Nuno Santos sublinha que as tendências de desconfinamento coincidem com as notícias positivas das últimas duas semanas e admite que este pode não ser um sinal positivo para o cumprimento das regras dos futuros estados de emergência, que se espera que sejam declarados durante pelo menos mais um mês - a confirmarem-se as previsões dos especialistas no nível de procura por cuidados intensivos.
"Estamos num confinamento longo desde 15 de janeiro e, naturalmente, as pessoas tendem a sair mais de casa e a confinar menos", avisa o responsável da PSE, que diz que é preciso estudar o processo de fadiga pandémica e a reação da população à perceção do risco, havendo segmentos que reagem muito às mudanças nos níveis de incidência da Covid-19.
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