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Casas sem luz, árvores caídas e danos avultados. O rasto de Leslie

A tempestade Leslie provocou 27 feridos ligeiros,61 desalojados e quase 1.900 ocorrências comunicadas à Proteção Civil, de acordo com o balanço mais atualizado desta autoridade.

NOTÍCIA EM ATUALIZAÇÃO

​​​​​​​De acordo com o comandante Rui Laranjeira, da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), todos os feridos apresentavam ferimentos ligeiros, ainda que tenham sido transportados a uma unidade de saúde parar receberem tratamento. A ANPC registou ainda três pessoas assistidas no local, que não necessitaram de ser levadas a unidades de saúde.

A tempestade fez ainda 61 desalojados, 57 dos quais no distrito de Coimbra, um em Leiria e três em Viseu.

Das 1.890 ocorrências registadas pela ANPC, 1.218 diziam respeito a quedas de árvores e 441 a quedas de estruturas, tendo o vento sido o fenómeno que causou maior número de ocorrências, segundo Rui Laranjeira.

De acordo com o comandante, o distrito de Coimbra foi o mais afetado, seguindo-se os de Aveiro, Leiria e Viseu.

Mais de 15.000 habitações estavam sem fornecimento de energia elétrica esta noite, devido à passagem da tempestade tropical Leslie, disse à agência Lusa fonte da EDP Distribuição, admitindo um agravamento da situação.

"Tem havido um agravamento significativo das condições, o que deixa cada vez mais pessoas sem energia, estamos a atualizar os dados a cada dez minutos", informou a diretora de comunicação da EDP Distribuição, Fernanda Bonifácio.

Segundo a mesma fonte, o maior número de habitações afetadas localiza-se nos concelhos de Pombal, Marinha Grande e Leiria, no distrito de Leiria, representando "uma área muito significativa" da extensão dos danos.

A Autoestrada do Norte A1, esteve cortada no sentido norte-sul entre Condeixa-a-Nova e Pombal, ao quilómetro 163, devido à queda de uma árvore, mas entretanto o troço foi reaberto. A TSF constatou no local que ao longo da via há vários ramos e árvores caídas na berma.

Ao início da madrugada, a Autoridade Nacional de Proteção Civil dava conta de 820 ocorrências em Portugal Continental, a maioria resultantes da queda de árvores e de estruturas, sobretudo nos distritos de Leiria, Coimbra e Lisboa. Segundo o comandante Rui Laranjeira, nas operações estão envolvidos mais de 2.800 operacionais, e das 820 ocorrências, 506 dizem respeito a queda de árvores e 258 a queda de estruturas.

"Os distritos mais afetados são Setúbal, Lisboa e Leiria, mas esperamos agora que a partir deste momento passe a afetar Coimbra e Aveiro", afirmou à Agência Lusa o comandante de serviço da Proteção Civil.

Em entrevista à RTP3, o presidente do IPMA admitiu podia ser "uma noite complicada" em algumas regiões da zona costeira. "A tempestade entra a norte na zona de Peniche e Figueira da Foz e deslocar-se-á em direção a nordeste", disse Jorge Miranda.

O presidente do IPMA deixou ainda avisos sobre a tempestade. "Pode haver a ideia que estamos num momento de calmaria e meia hora depois estamos a receber rajadas. Pode haver uma chuvada de meia hora mas depois não quer dizer que tudo tenha acabado. Enquanto a tempestade estiver lá ela vai ter efeitos sobre a superfície".

Jorge Miranda explicou ainda que se tratam de "dois fenómenos conjugados: uma"dois fenómenos conjugados: uma frente fria de chuva a norte e uma tempestade tropical".

Com o Leslie a chegar a território continental, a Proteção Civil reforçou os avisos, receando os ventos fortes, a agitação marítima e a chuva e recomenda que a população se afaste das zonas costeiras e proteja pessoas e bens.

Durante a tarde, o comandante Belo Costa, da Autoridade de Proteção Civil, disse aos jornalistas que o período crítico, entre as 23h00 de sábado e as 04h00 de domingo, a recomendação é mesmo não sair de casa e evitar completamente o trânsito em zonas costeiras.

Prevê-se para esse período o pico do mau tempo, com ventos médios entre os 70 e os 80 quilómetros por hora e possíveis rajadas de 120 quilómetros por hora.

O conselho é mesmo "tentar ao máximo evitar andar na rua", afirmou Belo Costa, salientando que as zonas costeiras serão as mais afetadas. Se não houver alternativa, o conselho é "procurar alternativas seguras" às estradas perto do mar entre Sines, no litoral alentejano, e Leiria, no Centro.

Em conferência de imprensa, às 20h00, o comandante reiterou os avisos e explicou que "o Leslie perdeu força mas ganhou velocidade." O furacão, que evoluirá para uma tempestade tropical, mudou também a sua direção, encaminhando-se para norte.

SIGA A EVOLUÇÃO DO LESLIE EM DIRETO

A Câmara de Lisboa acionou o plano de emergência para fazer face aos efeitos do furacão Leslie, tendo aberto as estações de metro do Saldanha e do Martim Moniz para as pessoas sem-abrigo passarem a noite. Na capital, foram adiados vários eventos por precaução, como o concerto de Mafalda Veiga e a festa "Revenge of the 90's".

No restante território, ao final da tarde, nove barras estão fechadas a toda a navegação e seis estão condicionadas, segundo o portal da Autoridade Marítima Nacional.

As nove barras encerradas a toda a navegação são as de Aveiro, Caminha, Esposende, Figueira da Foz, Vila Praia de Âncora, Póvoa do Varzim, Vila do Conde, Portinho da Ericeira e São Martinho do Porto. As barras do Douro, Viana do Castelo, Lisboa, Faro/Olhão, Quarteira e Vilamoura estão condicionadas.

O INEM ativou também a Sala de Situação Nacional para acompanhar e articular com as restantes entidades de proteção civil os efeitos da passagem do furação Leslie por Portugal.

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