Governo vai retomar negociações com professores. "Queremos despachar isto!", diz sindicato

Os professores ameaçaram levar o protesto até às últimas consequências, caso o Governo não ceda à reivindicação dos docentes de recuperar os nove anos, quatro meses de dois dias de serviço que foram congelados.

A secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, assegurou, esta quinta-feira, que vai retomar o diálogo com os sindicatos sobre a recuperação do tempo de serviço congelado nas carreiras dos professores.

"A norma do Orçamento de 2019 vai ser cumprida e muito em breve voltaremos às negociações com os sindicatos", assegurou Alexandra Leitão, no Fórum TSF.

A secretária de Estado afirmou que as estruturas sindicais serão as primeiras a ser informadas das datas em concreto" para a retoma das negociações.

"Esta negociação não parte do zero. É uma nova negociação, imposta pela lei do Orçamento para 2019, mas a Lei do Orçamento de 2018 foi cumprida e culminou com a aprovação de um decreto-lei que permitia a recuperação de três anos de serviço, o que representou um esforço considerável de aproximação da parte do Governo", acrescentou Alexandra Leitão.

Sobre a possibilidade de os professores fazerem greve às aulas do 12.º ano, condicionado a ingressão no ensino universitário de milhares de alunos, o Ministério da Educação não esconde a preocupação, mas acredita que haverá condições para concluir o ano letivo.

"Nós confiamos na responsabilidade e até no altruísmo dos professores, confiamos que haverá condições para acabar o ano letivo com tranquilidade", declarou a secretária de Estado.

A estas declarações, o secretário-geral da Federação Nacional Dos Professores (Fenprof), respondeu afirmando que os docentes querem evitar a greve, pelo que é necessário que o Governo esteja disposto a dialogar.

"Nós queremos despachar isto! Nós não estamos a dizer que queremos fazer uma greve no final do ano. Estamos a dizer o contrário", disse Mário Nogueira, no Fórum TSF. "Estamos a pedir à sociedade portuguesa que diga ao Governo que cumpra a lei, negoceie agora e retire a pressão do 3.º Período", acrescentou.

E se o Governo socialista acredita que "fazer guerra aos professores" irá trazer-lhe votos, o líder da Fenprof deixa um aviso e aconselha-o a "olhar para o passado e lembrar-se do que aconteceu com o Governo do engenheiro Sócrates".

"Não façam guerra aos professores por razões de ordem eleitoralista ou política. Governantes, respeitem os professores como os cidadãos deste país o fazem", pediu Mário Nogueira.

No início desta semana, o secretário-geral da Fenprof afirmou que qualquer episódio de intranquilidade que aconteça nas escolas será responsabilidade do Governo.

"O terceiro período vai ser um período em que tudo o que possa acontecer, tudo o que possa de intranquilidade surgir, todos os problemas que possam aparecer, responsabilizamos o Dr. António Costa, o primeiro-ministro do Governo de Portugal e o Governo na sua totalidade pelas consequências que possam existir para os alunos e para as escolas dessa luta que vai, de certeza, ter lugar", disse Mário Nogueira.

Depois de uma reunião com o Partido Socialista, esta segunda-feira, o líder da Fenprof fez saber que as organizações sindicais vão consultar todos os docentes para saber "até onde estão dispostos a ir" caso o Governo continue a recusar negociar a recuperação dos nove anos, quatro meses e dois dias de carreiras docentes congeladas.

Para já, está marcada para março uma manifestação nacional dos professores.

Notícia atualizada às 12h39, com as declarações de Mário Nogueira

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