Comissão de Inquérito

Tancos. Material pretendido por organizações criminosas "não tem relação" com furto

"Lista de compras" de organizações criminosas estrangeiras foi mencionada na reunião da Unidade de Coordenação Antiterrorista, mas "não há ligação" com Tancos, garante Helena Fazenda, secretária-geral do SSI.

A secretária-geral do Sistema de Segurança Interna (SSI), Helena Fazenda, confirmou, esta quinta-feira, na comissão parlamentar de inquérito ao roubo de material militar em Tancos, que a "lista de compras" - como era conhecida uma lista de material militar pretendido por organizações criminosas estrangeiras - não tem qualquer relação com a lista de material que foi furtado nos Paióis Nacionais de Tancos, em junho de 2017.

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A lista de material militar que era pretendido por organizações criminosas estrangeiras foi mencionada numa reunião da Unidade de Coordenação Antiterrorista (UCAT) a 30 de junho, poucos dias após o furto em Tancos. Questionada pelo deputado João Vasconcelos, do BE, Helena Fazenda não garantiu não haver coincidência entre o material furtado e o material pretendido, mas sublinhou que, entre uma e outra lista, não há qualquer ligação.

"Essa circunstância foi devidamente despistada pelos serviços e não tem qualquer ligação a Tancos. Tal como um carro que teria sido visto nas imediações das instalações militares onde estão os paióis", afirmou. Perante o esclarecimento, o deputado João Vasconcelos insistiu: "Podemos concluir que a lista [de material furtado em Tancos] não coincide?", questionou. "Não há ligação", reiterou a secretária-geral do Sistema de Segurança Interna.

Pelo CDS-PP, o deputado António Carlos Monteiro insistiu num esclarecimento sobre a informação partilhada por Helena Fazenda, e lamentou: "Ficamos a saber que se exclui só porque se exclui", disse, lamentando a falta de detalhe sobre o que terá levado a que fosse excluída a possibilidade de o material furtado estar relacionado com o material pretendido por organizações criminosas estrangeiras. "Não há nada relacionado, nada", insistiu a secretária-geral do SSI.

"Há uma linha de investigação em curso sobre listagens, mas não coloca em causa a avaliação do grau de ameaça", adiantou também Helena Fazenda, que, à semelhança do que tinha afirmado, em julho de 2017, numa audição na comissão parlamentar de Defesa Nacional, esclareceu que os acontecimentos não alteraram o nível de alerta no país e que às várias reunião da UCAT não chegaram informações que pudessem antecipar um furto em Tancos.

Veículos militares à saída da Unidade de Apoio Geral de Material do Exército, no âmbito dos trabalhos desenvolvidos para desativar os Paióis Nacionais de Tancos.

"Tomei conhecimento através da comunicação social"

Na comissão parlamentar de inquérito, a secretária-geral do Sistema de Segurança Interna (SSI) confirmou também que soube do furto de material militar em Tancos pela comunicação social, mas defendeu que é "injusto" falar numa falha na circulação da informação sobre o sucedido entre as várias entidades: militares, policiais e civis.

"Não me parece que a partir dessa circunstância se possa tirar a ilação de que os canais de comunicação ou agilização entre as entidades não funcionem. Penso que é um pouco injusto tirar essa ilação", disse logo no arranque da audição, Helena Fazenda, que acrescentou que assim que soube do furto se preocupou em "delinear um conjunto de procedimentos".

Quando a ter sabido do furto pela comunicação social, referiu: "Confirmo integralmente e sem reservas que tomei conhecimento do furto pela comunicação social", sublinhando, no entanto, não querer "julgar" a atuação das entidades envolvidas na reação ao acontecimento.

"Espero que não volte a acontecer nada de semelhante, para isso, temos todos de trabalhar muito, mas não me compete julgar", assinalou., numa audição com a duração de três horas e em que reiterou que uma "ameaça terrorista" nunca foi hipótese. "Nada foi identificado a este nível. Se algo já tivesse sido identificado a esse nível já tinha sido divulgado", garantiu.

Os trabalhos prosseguem na próxima terça-feira com a audição da antiga Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal.

A comissão parlamentar de inquérito ao furto de material militar em Tancos tem previstas mais de 60 audições a personalidades e entidades e vai funcionar até 14 de junho, depois de o parlamento ter decidido prolongar os trabalhos por mais 90 dias.

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