
Jason Lee/Reuters
Uma lesão durante um jogo de futebol revelou a presença de um cancro na medula espinhal num jovem de nacionalidade chinesa. Para travar o avanço da doença, os médicos optaram por operá-lo para lhe retirar a uma vértebra. Foi substituída por uma igual que nasceu de uma impressão 3D.
O caso é inédito e revela a relação que a impressão 3D e a medicina podem ter no futuro. Um rapaz lesionou-se num jogo de futebol. No diagnóstico ficou a saber que tinha um tumor na medula espinhal e tinha de ser operado.
Os médicos do Hospital Universitário de Pequim optaram por submeter o doente a uma cirurgia com o intuito de lhe retirar a segunda vértebra, evitando assim que o tumor se espalhasse pelo resto do corpo. Mas no lugar da vértebra original colocaram uma outra. Uma réplica que foi criada através da impressão 3D.
Contrariamente ao implante "tradicional", esta vértebra 3D foi feita à medida do paciente, de acordo com a sua morfologia, como conta o jornal Huffington Post. Ou seja, o implante foi integrado no esqueleto do jovem jogador sem necessidade de ser fixado com parafusos, reduzindo assim o tempo de recuperação e o risco de os parafusos se soltarem com o desgaste.
Liu Zhongiun, chefe do serviço de Ortopedia do Hospital Universitário de Pequim, explica que «com a técnica tradicional, a cabeça do paciente tem de ficar pousada num suporte após a cirurgia. É um processo trabalhoso, que pode prolongar-se, no mínimo, por três meses. A cabeça do paciente não pode tocar na cama, nem mesmo quando ele está a descansar. Como o implante 3D pode reproduzir na perfeição uma vértebra, o corpo adapta-se mais rapidamente recupera mais rápido».
Após a operação, que demorou cinco horas, o rapaz de 12 anos, vai ficar em observação durante três meses. Por enquanto não pode falar. Comunica escrevendo num quadro de ardósia. A equipa médica diz que ele está em excelente forma e mostra-se confiante na sua recuperação.
A utilização de implantes 3D no domínio da cirurgia ortopédica parece estar a ganhar terreno e há quem anteveja uma revolução. O jovem, que foi operado em meados deste mês, foi o primeiro a receber uma vértebra 3D, mas os médicos do Hospital Universitário de Pequim já tinham usado um implante 3D para substituir os discos intervertebrais noutro doente.
No início deste ano, um escocês recebeu implantes 3D de parte do crânio, para reconstruir o rosto que ficou desfigurado após um acidente de moto.