
Global Imagens/Bruno Castanheira
O autor escreveu um último livro, um romance que dá pelo nome de «Nenhuma Vida». No prefácio, o escritor escreve: «Daqui me vou despedindo, pouco a pouco, lutando com a minha angústia e vencendo-a, dizendo um maravilhado adeus...»
«Nenhuma Vida» é o título do novo livro de Urbano Tavares Rodrigues, hoje falecido em Lisboa. Um romance breve, escrito este verão e que, segundo Cecília Andrade da Dom Quixote, será publicado ainda este ano.
Ouvida pela TSF, a editora da TSF cita parte do prefácio da obra que, a dado momento, parece «que se estava a despedir da vida».
«Daqui me vou despedindo, pouco a pouco, lutando com a minha angústia e vencendo-a, dizendo um maravilhado adeus à água fresca do mar e dos rios onde nadei, ao perfume das flores e das crianças, e à beleza das mulheres. Um cravo vermelho e a bandeira do meu Partido hão-de acompanhar-me e tudo será luz», escreveu Urbano Tavares Rodrigues.
Em comunicado, as Publicações D. Quixote e grupo editorial manifestam a sua «mais profunda tristeza» pelo falecimento do escritor.
«Com a morte de Urbano Tavares Rodrigues morre também um grande humanista, que acreditou, até ao fim, na bondade do ser humano», lê-se no mesmo comunicado.
«A Imensa Boca Dessa Angústia e Outras Histórias» foi o último livro do escritor publicado, em abril passado.
Entre cerca dos cem títulos que publicou, em mais de 60 anos de carreira literária, destacam-se «Bastardos do Sol», «Dissolução», «Estrada de morrer», «Agosto no Cairo: 1956», «O Tema da Morte na Moderna Poesia Portuguesa», integrado depois em «O Tema da Morte: Ensaios», «O Algarve na Obra de Teixeira Gomes», «A Saudade na Poesia Portuguesa», «A Natureza do Ato Criador», «O último dia e o primeiro», «Contos da solidão», «Os insubmissos», «Tempo de cinzas», «Torres Milenários», «Bastardos do Sol», «O Algarve em poema», «Os Cadernos Secretos do Prior do Crato».
Tavares Rodrigues recebeu variados galardões literários, nomeadamente o Prémio Ricardo Malheiros, por «Uma Pedrada no Charco», e ainda os prémios da Associação Internacional de Críticos Literários, da Imprensa Cultural, Vida Literária e o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco.