Política

Casa de Rui Rio e sedes do PSD alvo de buscas pela PJ

Rui Rio, antigo líder do PSD Estela Silva/Lusa

Em causa estão suspeitas de um esquema de pagamento de ordenados a funcionários do PSD com recurso a verbas da Assembleia da República.

O ex-presidente do PSD Rui Rio e outros dirigentes social-democratas foram alvo de buscas na manhã desta quarta-feira pela Polícia Judiciária, por suspeitas de crimes de peculato e abuso de poderes por alegada utilização indevida de dinheiros públicos.

O PSD confirma que as buscas passaram pela casa do ex-presidente do partido, no Porto e pela sede nacional do PSD, bem como pelas sedes distritais do PSD em Lisboa e Porto.

Num comunicado enviado aos jornalistas, a Polícia Judiciária fala em "20 buscas, 14 delas domiciliárias, cinco a instalações de partido político e uma em instalações de Revisor Oficial de Contas, na zona da Grande Lisboa e na zona norte do país".

Segundo avançou a CNN Portugal, o Ministério Público (MP) considera ter "fortes indícios" de crimes no exercício de cargos políticos, sendo Rui Rio um dos principais visados. Ainda, as casas de outros suspeitos, como é o caso do deputado social-democrata Hugo Carneiro, também foram alvo de buscas.

"Segundo a informação das autoridades, a investigação em curso, visa factos que remontam ao período de 2018 a 2021", lê-se numa nota do PSD enviada às redações. O partido promete ainda prestar "toda a colaboração solicitada pelas autoridades judiciais".

Em causa está a investigação de um esquema de pagamento de ordenados a funcionários do PSD com recurso a verbas da Assembleia da República, exclusivamente destinadas a cargos de assessoria dos grupos parlamentares.

As investigações prosseguirão, "sujeitas a segredo de Justiça", adianta o Ministério Público, com a PJ a assegurar "o exame integral aos elementos probatórios alcançados, visando o cabal esclarecimento dos factos que integram o objeto do inquérito".

A operação, que envolveu perto cem inspetores e diversos peritos informáticos e financeiros, foi acompanhada por seis magistrados do MP e um juiz de instrução criminal.

Rui Rio foi presidente do PSD entre fevereiro de 2018 e julho de 2022, tendo acumulado com a presidência do grupo parlamentar entre novembro de 2019 e setembro de 2020.

Depois de notícias na revista Sábado, que noticiava o processo constituído a partir de denúncias internas do PSD, em julho de 2020 a associação cívica Transparência e Integridade pediu explicações ao conselho de administração da Assembleia da República sobre possíveis casos de funcionários pagos pelo parlamento que prestam serviço nas sedes dos partidos.

A Transparência e Integridade pediu dados sobre o número total de funcionários de apoio aos grupos parlamentares, aos deputados únicos e não inscritos, quantos deles prestam funções fora do parlamento, "por exemplo destacados nas sedes partidárias", e que mecanismos de controlo tem a Assembleia da República sobre o local de trabalho dos funcionários, bem como dados relacionados com estas possíveis circunstâncias laborais.

"Há demasiados anos o parlamento convive em silêncio com suspeitas e denúncias de que funcionários que são pagos para apoiar o trabalho da Assembleia acabam desviados pelos partidos para fazerem trabalho estritamente partidário, nas suas sedes, sem qualquer ligação com as funções do Parlamento", denunciava esta associação.

Notícia em atualização

TSF com Lusa