A decisão anunciada pelo Catar foi já confirmada pelo Hamas.
O cessar-fogo entre Israel e o Hamas vai prolongar-se durante mais dois dias, anunciou esta segunda-feira o Qatar, enquanto mediador do conflito no Médio Oriente.
"O Catar anuncia, como mediador do conflito, que foi alcançado um acordo para prolongar a trégua humanitária por mais dois dias na Faixa de Gaza", disse o porta-voz dos Negócios Estrangeiros Majed Al Ansari, numa publicação na rede social X (antigo Twitter).
Num comunicado, o Hamas anunciou "um acordo com os irmãos qataris e egípcios para um prolongamento da trégua humanitária temporária, que será por mais dois dias, com as mesmas condições da trégua precedente".
Israel não confirmou ainda a extensão do acordo.
Anteriormente, al-Ansari tinha indicado que as partes estavam numa série de conversações com vista à prorrogação da trégua, que está em vigor há quatro dias, enquanto o Governo egípcio - que também atua como mediador - propôs a prorrogação de dois dias em troca da libertação de mais 20 reféns.
O Hamas, que assumiu o poder na Faixa de Gaza em 2007, também tinha indicado que estava a preparar uma nova lista de reféns a libertar, a fim de prolongar a trégua nos combates com Israel.
Apesar de alguns pequenos contratempos, ambos os lados respeitaram até agora o acordo, que resultou na libertação de 58 reféns mantidos em cativeiro na Faixa de Gaza e de 117 prisioneiros palestinianos em prisões israelitas.
A quarta troca está marcada para hoje e Israel já anunciou que recebeu uma lista dos próximos reféns que serão libertados.
Entre as 58 pessoas sequestradas e libertadas pelo Hamas desde sexta-feira estão 19 estrangeiros que não faziam parte do entendimento.
O acordo entre Israel e o grupo islâmico foi possível graças à mediação do Qatar, do Egito e dos Estados Unidos e previa uma trégua de quatro dias, a entrada de ajuda humanitária em Gaza proveniente do Egito, bem como a libertação de um total de 50 reféns raptados em 7 de outubro e de 150 palestinianos detidos em prisões israelitas, todos menores ou mulheres.
Além disso, inclui a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza e uma cláusula pela qual o acordo poderia ser prorrogado por até dez dias se o Hamas concordar em entregar pelo menos mais dez prisioneiros por cada dia adicional.
A trégua permitiu até agora a entrada de centenas de camiões carregados de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, sitiada e devastada por sete semanas de bombardeamentos israelitas em retaliação pelo ataque sangrento lançado pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro e que deixaram cerca de 1.200 mortos.
O Presidente norte-americano, Joe Biden, a União Europeia e a NATO tinham apelado para a prorrogação do acordo.
A libertação de um maior número de reféns é exigida com veemência pela opinião pública israelita, traumatizada pelo ataque do Hamas há um mês e meio no sul do país.
Em resposta ao ataque do Hamas a 7 de outubro, Israel declarou guerra ao movimento islamita palestiniano e bombardeou intensivamente a Faixa de Gaza até as partes terem chegado a acordo para uma trégua de quatro dias.
Até ao início da trégua, os ataques do exército israelita em Gaza tinham matado mais de 14 mil pessoas, segundo o Hamas, que controla o enclave desde 2007
Notícia atualizada às 17h42