O secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal, Luís Mira, ouvido pela TSF, reconhece que os protestos mostram "o desespero dos agricultores e a sua contrariedade face à proposta" da União Europeia
Centenas de tratores e milhares de agricultores de vários Estados-membros bloqueiam as principais vias de Bruxelas desde a madrugada desta quinta-feira, em protesto contra o acordo entre a UE e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). Rejeitam ainda eventuais cortes previstos para a Política Agrícola Comum (PAC) no próximo Quadro Financeiro Multianual (2028-2034). Em declarações à TSF, o secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Luís Mira, reconhece que os protestos mostram "o desespero dos agricultores e a sua contrariedade face à proposta".
Nas últimas horas, registaram-se alguns confrontos entre as autoridades, com os agricultores a atirarem batatas contra os agentes e a polícia a usar gás lacrimogénio para dispersar os manifestantes. Caixotes do lixo e pneus também já foram incendiados. O secretário-geral da CAP espera que haja "abertura para melhorar esta proposta".
"Não é aceitável que o orçamento aumente 40% e que corte 20 % na PAC. É contra isso que nos estamos a manifestar: contra o desmantelar de uma política europeia que desta forma ficaria uma política nacional", sublinhou.
Luís Mira deixa também um apelo ao primeiro-ministro Luís Montenegro "para que rejeite a proposta". "Um ajustamento do orçamento é fundamental. Se colocarmos a inflação, falamos de um corte de 47% e não vale a pena falar de medidas se não se mudar o orçamento", defende.
O secretário-geral da CAP reivindica mais um problema relativamente à proposta: "Vai levar a que países com maior capacidade financeira possam ajudar os agricultores de uma forma que Portugal, por exemplo, não vai ajudar."
Adicionalmente, o agricultor mostra preocupação com "a destruição da arquitetura da PAC e a sua fusão no orçamento com outros conjunto de fundos europeus".
O acordo com o Mercosul e a respetiva cláusula de segurança para os agricultores europeus deverá ser discutido e aprovado na sexta-feira pelos Estados-membros, por maioria qualificada, permitindo que Ursula von der Leyen viaje para o Brasil no sábado para assinar um acordo que levou 25 anos a fechar.
Um grupo de países, liderado pela França, rejeita o acordo, tendo a Itália um papel decisivo para haver uma minoria de bloqueio (têm de representara 65% da população da UE).
Os presidentes do Conselho Europeu, António Costa e a líder da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, receberam esta quinta-feira, em Bruxelas, representantes dos agricultores da União Europeia (UE), numa reunião "boa e produtiva". Os representantes estão-se a manifestar, esta quinta-feira, na cidade.
Numa mensagem divulgada nas redes sociais no final do encontro, António Costa, classificou a reunião como "boa e produtiva".
"Em tempos de incerteza, os nossos agricultores precisam de fiabilidade e apoio e a Europa estará sempre ao lado deles com um apoio forte e sustentado no orçamento da União Europeia (UE)", acrescentou ainda o antigo primeiro-ministro português.