O ministro das Finanças disse esta quarta-feira que está a avançar uma transformação tecnológica na administração central, ironizando que o sistema que gere o Orçamento do Estado é como um "Excel dos Flintstones"
Por quem os sino dobram na dívida pública Europeia? O impacto da dívida pública em Itália apresenta um rácio de 138%, em França de 115% e em Espanha de 103%. São valores a que o Ministro das Finanças está atento.
"Eu recordo sempre uma passagem num livro do Hemingway, de The Sun Also Rises [O Sol Nasce Sempre, em português], em que dois banqueiros estão à conversa e um diz "Como é que foste à falência" e o outro diz "De duas maneiras devagar e depois muito rapidamente". E esse não é o problema de Portugal, mas é o problema de alguns países hoje europeus grandes, que estão fortemente endividados e, portanto, a qualquer momento podem criar uma perturbação no mercado financeiro. Quanto mais protegidos nós tivermos, por via da competitividade da economia portuguesa, mas também da solidez das contas públicas e do baixo endividamento dos agentes económicos, famílias e empresas, mais protegidos teremos eventuais perturbações mercados", disse Joaquim Miranda Sarmento.
Assim, o bom desempenho de Portugal pode ser contaminado com a exposição aos outros países.
"França, Itália, mas também Espanha, têm dívidas públicas muito superiores a Portugal e já bastante acima dos 100%. E é aqui que reside o principal risco. Depois, naturalmente, um pequeno país que a Price Taker sofreria sempre."
O ministro das Finanças lembrou por isso quais os três maiores problemas da economia portuguesa, desde logo a falta de capital humano.
Por outro lado, Miranda Sarmento prometeu uma revolução tecnológica na Direção-Geral do Orçamento.
"Eu costumo chamar lhe o Excel dos Flintstones, porque aquilo até no final dos anos 90 já não era propriamente muito avançado do ponto de vista tecnológico. Nós estamos a fazer essa transformação", concluiu.