A Transtejo Soflusa celebra 50 anos, esta quarta-feira, e o presidente da administração, que tomou posse há três meses, considera que a melhoria do serviço é a prioridade face aos desafios de transporte no rio. Rui Rei assegura que, em menos de um mês, foi antecipada a operação elétrica para Cacilhas, reduzidas as supressões, numa altura em que investe na formação das tripulações, na reconversão da frotas e estuda futuras aquisições e novas rotas, incluindo para o Parque das Nações
A procura pelo transporte fluvial entre as duas margens do Tejo está a crescer, assegura à TSF Rui Rei, antigo presidente da Parques Tejo em Oeiras e agora presidente da Transtejo Soflusa. Para ilustrar o trabalho desenvolvido, desde que tomou posse a 13 de outubro, garante que há mais embarcações elétricas a funcionar e foram reduzidas supressões, algo que foi visível logo a 1 de novembro, quando a nova administração antecipou a operação elétrica em Cacilhas, inicialmente prevista só para meados deste ano.
Com esta decisão, assegura que o início da operação elétrica em Cacilhas levou a que se passasse a cumprir o contrato de serviço público e, consequentemente, permitiu ainda durante o mês de novembro a redução em 92% das supressões de carreiras, com navios elétricos com capacidade para 540 passageiros.
Dá nota que, "na passagem do ano, por duas vezes, o navio foi completamente cheio com 540 passageiros, o que significa o início de um percurso de normalização e de estabilização da oferta e, ao mesmo tempo, formação de tripulações".
"Não tínhamos as tripulações todas formadas para operar com os navios elétricos e estamos claramente a fazer uma aposta na formação das nossas pessoas, tripulações e quadros."
Para o mandato, definiu ainda como prioridade a reparação da frota tradicional e o estudo da sua eventual reconversão para fontes de energia mais sustentáveis. Para já, avança com a recuperação dos dez cacilheiros, que têm sido imagem de marca do Tejo, com a ambição de lançar uma possível futura operação de turismo no rio.
Nos planos da empresa, estão ainda novas rotas entre as duas margens, estando em estudo a ligação Algés-Trafaria e outras a toda a Margem Sul, incluindo ao Parque das Nações. Pretende ainda reforçar as viagens fluviais para o Montijo e Barreiro.
Para Rui Rei, estes planos revelam que a nova direção está empenhada em cumprir a missão de ter a Transtejo como o grande operador de transportes que liga as duas margens do Tejo. "É este o nosso grande objetivo, normalização e crescer para o futuro", sublinha.
Até meados deste ano, a Transtejo conta ter todos os seus navios a funcionar e admite em breve outras novidades na operação. Rui Rei não descarta a possibilidade de fazer novas aquisições.
"No plano de renovação da frota das diferentes operações, mais tarde ou mais cedo, num futuro próximo, teremos de encarar quer a recuperação, quer a modernização e eventualmente a aquisição de novos navios elétricos. Vamos ver essa hipótese agora com os estudos que estamos a fazer para ligações a Algés, ao Parque das Nações e outra oferta que temos de dar, como eventualmente até a tipologia de táxis do Tejo."
O presidente da Transtejo insiste que, "a breve prazo", haverá "novidades sobre essa matéria". "Queremos manter os nossos cacilheiros, que são a voz do Tejo. Tudo faremos para associar esta grande passagem entre o Cais do Sodré e Cacilhas à sua modernização, seja de forma híbrida, ou forma totalmente elétrica."
Outra aposta prometida é o reforço da operação noutras ligações. O Barreiro é hoje "a maior operação" da Transtejo Soflusa com 11 milhões de passageiros, com a qual Rui Rei considera que é preciso ter "muito cuidado". "O reforço da oferta que fazemos semanalmente irá continuar a ter lugar", assegura.
Adianta ainda que "a melhoria da operação do Barreiro tem passado por uma manutenção forte dos seus navios". "Onde tivemos grandes problemas de supressões foi na restante oferta, nomeadamente em Cacilhas e no Montijo e estamos a procurar superar os grandes constrangimentos, com frota elétrica e reparações", avança.
Com oito navios previstos recuperar até março ou abril, espera estabilizar completamente a oferta e a partir daí crescer. Remata que a Transtejo é o maior operador da Europa - senão do mundo - no ransporte fluvial elétrico de passageros e pretende conquistar a confiança dos passageiros.
Para o gestor, "é preciso ganhar a confiança dos cidadãos e já se começa a notar o aumento da procura".
"Estamos a avançar com uma campanha para que se possa reforçar essa confiança, a par dos investimentos que temos de fazer em embarcações elétricas e na recuperação dos navios tradicionais", conclui.