Na TSF, Miguel Miranda apontou o "histórico não simpático" de Portugal no que "diz respeito a impedir ou atrasar projetos absolutamente necessários" de ordenamento do território
O ex-presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou esta segunda-feira para as consequências de erros de ordenamento do território e antecipou o regresso de cheias, semelhantes às que viveu na infância. Numa semana marcada por precipitação persistente, Miguel Miranda apela à prudência da população.
"Toda a regra hidrográfica do Tejo provavelmente vai estar numa situação de stress, devido às condições fisiográficas também. Todas as regiões próximas do Tejo, aquelas que no tempo da minha infância estavam regularmente a ser fustigadas por cheias, provavelmente vamos voltar a esse tempo", afirmou, em declarações à TSF.
Perante este contexto, e numa altura em que os efeitos da depressão Joseph se fazem sentir, o ex-presidente do IPMA deixou um apelo direto à população: "Mais do que tudo, tenham cuidado."
Miguel Miranda apontou ainda o "histórico não simpático" de Portugal no que "diz respeito a impedir ou atrasar projetos absolutamente necessários" de ordenamento do território.
Segundo o antigo responsável, muitas destas situações resultam de posições excessivamente "inflexíveis", tanto por parte de técnicos como de decisores políticos, o que acaba por dificultar soluções equilibradas para áreas como a agricultura, o ambiente e o ordenamento do território.
Proteção Civil diz que situação no Médio Tejo pode ficar "mais complicada" nos próximos dias
Também ouvido pela TSF, o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, adiantou que, durante o fim de semana, já foram registadas situações de submersão, em particular no "parque de estacionamento junto ao Rio Zedro, na zona de Constância".
"Temos também uma estrada municipal no município de Torres novas, 570, que está submersa, portanto aconselhamos a que não haja a tentativa de atravessamento dessas dessas vias", acrescentou.
David Lobato sublinhou ainda que "é expectável" que a situação fique "mais complicada" nos próximos dias" no Médio Tejo.
Portugal continental começou esta segunda-feira a sentir os efeitos da depressão Joseph, com chuva, neve, vento e agitação marítima, ao início da manhã no Minho e Douro Litoral.
Os efeitos da depressão Joseph irão estender-se depois, de forma gradual, às restantes regiões de Portugal continental de hoje para terça-feira, "e com a passagem de sucessivas ondulações frontais pelo menos até ao fim de semana", indicou o IPMA no domingo, em comunicado.
*Com Maria Ramos Santos