É difícil ver o lado bom das calamidades, mas há quem consiga. A TSF falou com a população da Marinha Grande, onde populares recuam no tempo e vivem sem luz e água em casa. "Já o meu neto com sete anos está fartinho de dizer "Eu não tenho internet, eu não tenho internet"
Ainda há muitas torneiras que só servem para decorar na Marinha Grande. Alguns dos moradores estão na fila com todo o tipo de vasilhames para abastecer na fonte pública, onde a água imprópria é agora um luxo.
- "Viemos buscar água, ainda não temos em casa", ouve-se
Nos garrafões de água levam água para "lavar louça, pôr nas sanitas e para lavar a cara". Levam entre 50 a 70 litros. "Tivemos de desenrascar. Tem sido muito complicado, muito difícil", contam populares à TSF.
Ainda assim, "há 60 anos víviamos assim, sem luz e sem água em casa" e, por isso, "isto não é estranheza nenhuma", confessa Ana Serejo.
"Já o meu neto com sete anos está fartinho de dizer "Eu não tenho internet, eu não tenho internet"."
Também Dimitri lembra que já viveu onde não é possível esconder-se nem abrigar-se do que nos cai do céu todos os dias sobre a cabeça.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.