Ricardo Alexandre

Ricardo Alexandre

Brasil: o direito à manifestação, um Jair que teima em ficar e um governo em construção

Se há coisa que uma democracia não pode questionar é o direito à manifestação. Se estes cidadãos brasileiros que se manifestam desde ontem (a começar pelos camionistas e a acabar nas próprias forças da autoridade, com as nuances de que o assunto, aqui chegados, se reveste) o fazem de forma pacífica, têm todo o direito de o fazer. A questão é se os limites são ultrapassados, se as coisas se tornam violentas; aí estamos a falar de manifestações de polícias e militares, em muito boa parte organizados nas redes sociais, perante o silêncio cúmplice e ensurdecedor do derrotado presidente Jair Bolsonaro.

Ricardo Alexandre

Dos escombros da Ucrânia a uma Rússia pária: esqueceste-te da economia, estúpido?

Tem sido heróica a resistência da Ucrânia (um País e um povo resistem sempre como podem) a uma brutal operação militar especial lançada pela Rússia depois de Vladimir Putin ter dito pela televisão à Rússia e ao mundo que a Ucrânia não existe enquanto nação e os ucranianos enquanto povo. O objetivo, além de reafirmar a Rússia imperial e fazer uma projeção de poder numa escala e dimensão nunca vistas desde a Segunda Guerra Mundial, seria desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia. "Des-nazificar" um País que tem um presidente judeu, como é o caso de Volodimyr Zelensky (a quem hoje louvamos a coragem e dignidade depois de irresponsáveis declarações iniciais e a quem o Parlamento Europeu muito justamente ovacionou, de pé, na abertura de uma sessão extraordinária sobre a guerra na Ucrânia) soa a ridículo.

Ricardo Alexandre

O triunfo da decência e o "daqui não saio, daqui ninguém me tira"

É a vitória da moderação contra o radicalismo, do respeito contra o desrespeito pelas instituições, da inclusão contra a exclusão, também do tradicionalismo contra um suposto anti-sistema que governou em claro benefício dos mais ricos, o regresso da decência ao comando da política dos Estados Unidos, ao multilateralismo, a possibilidade de regresso de uma América que se saiba fazer respeitar sem ser com base numa espécie de bullying relacional que tem dirigido a Casa Branca.