Racismo e xenofobia nas escolas: "institucionalização do ódio" e "redes sociais" exponenciam a violência

Maria João Gala (arquivo)
No Fórum TSF, a organização SOS Racismo revela que "frases como 'isto não é um Bangladesh' ou 'os ciganos têm que cumprir a lei' acabam por ser reproduzidas pelas crianças e adolescentes"
A organização SOS Racismo revela que tem recebido dezenas de queixas de pais que relatam que os filhos são vítimas de discurso de ódio nas escolas e a Polícia Judiciária (PJ) explica que envolveu o Governo e outras instituições para criar uma estratégia comum para resolver o problema.
No Fórum TSF, Beatriz Realinho, membro da SOS Racismo, considera que o racismo e a xenofobia não são problemas novos, mas estão a crescer.
"O racismo e a xenofobia não são problemas novos, eles já existiam, mas a sua violência acaba por ter sido exponenciada pelas redes sociais, mas também pela própria institucionalização do ódio contra as pessoas racializadas, ciganas e imigrantes", explica.
E isso vê-se nas instituições de ensino: "Nas sessões que nós fazemos nas escolas, também temos sentido que em alguns alunos esse mesmo discurso é repetido. Frases como 'isto não é um Bangladesh' ou 'os ciganos têm que cumprir a lei' acabam por ser reproduzidas pelas crianças e adolescentes nas escolas."
Pela PJ, o inspetor-chefe da Unidade Nacional Contraterrorismo, Hugo Silva, afirma que este não é um caso só de polícia, mas um problema social.
"Isto não é um problema só de polícia. Isto é um problema da sociedade em geral e o nosso objetivo é envolver a comunidade educativa toda e também os pais e tutores em todo este processo, porque só todos juntos é que poderemos mitigar este fenómeno ou mesmo travá-lo", disse Hugo Silva.
Por isso mesmo, o inspetor-chefe da Unidade Nacional Contraterrorismo anuncia que a PJ vai trabalhar com o Ministério da Educação para tentar resolver o problema do discurso de ódio nas escolas.
"A Polícia Judiciária entendeu envolver os parceiros, como a Direção-Geral da Educação e a Associação Nacional de Municípios, para criar uma estratégia comum de divulgação da nossa campanha e de informar, no fundo, os pais, os professores, os tutores e as crianças e os jovens, como é óbvio", conclui.
