Melhor parte é "vê-los crescer". Companhia do Chapitô junta teatro e circo há 30 anos

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Há três décadas que o Chapitô prova que o teatro e o circo combinam. Entre malabarismos, acrobacias, construção de personagens e posicionamento da voz, a companhia reinventa o teatro português, lança artistas e já atuou em vários países. A fundadora do Chapitô, Teresa Ricou, diz à TSF que o melhor é poder aplaudir o crescimento das pessoas que por lá passam
Apagam-se as luzes, o pano sobe e os artistas entram em cena para contar histórias que juntam o teatro e o circo. A Companhia de Teatro Chapitô celebra, esta quinta-feira, 30 anos. Aqui, a expressão corporal e vocal e a construção das personagens ganham uma nova força com as técnicas circenses, como o equilibrismo, o malabarismo e acrobacias.
A fundadora do Chapitô é Teresa Ricou, também conhecida como Teté, a mulher-palhaço. À TSF, a artista recorda alguns nomes de quem já fizeram parte do elenco da companhia. "Por exemplo, a Sandra Barata Belo, que está também em cena com uma peça de espetáculo muito interessante, César Mourão também de lá saiu e também está com grande sucesso e é um jovem que realmente afirmou estar bem localizado na cena artística, José Pedro Vasconcelos... são vários que saem", afirma.
A companhia foi criada por José Garcia. O atual diretor artístico foi aluno da escola de circo do Chapitô, fundada há 40 anos. Para Teté, esta união das artes circenses ao drama cria uma atuação mais forte. "Toda uma dramaturgia, performance, toda uma parte mais teatral, que engloba a formação global, que tem a parte circense, que permite ao artista sair para a cena de uma forma bastante bem preparado fisicamente, intelectualmente e culturalmente", diz.
Teté juntou-se ao elenco no início. Na altura, a mulher-palhaço tinha 50 anos. Garante que todos os que estrearam a companhia tinham um espírito jovem e que mal podiam esperar por entrar em cena. "Tínhamos todos uma perspetiva mais dinâmica, com mais energia", recorda.
Com o tempo, a companhia amadureceu e os espectáculos ganharam outra espessura, mas a companhia, tal como todo o Chapitô, continua a apelar aos jovens. "Estamos sempre a receber jovens interessados nesta área do corpo, da mente, da performance e da dramaturgia aplicada à parte circense."
Mais do que os aplausos ou uma estreia, para Teresa Ricou há um momento que vale por todos os espectáculos: assistir ao desenvolvimento dos artistas que passam pela companhia. "O que é interessante, a nível geral, é vê-los crescer e brotar. Aquele que estava ontem a fazer todo um trabalho mais manual ou numa atividade menos teatral, de repente descobrir o seu talento, ter essa oportunidade e revelar-se realmente como grande artista."
Três décadas depois, a companhia já atuou em salas de espectáculo em todo o mundo e continua a trabalhar entre o texto e o movimento. A magia mantém-se nos ensaios e em cena. Teresa Ricou mal pode esperar pelo que ainda está para vir.
Para assinalar a data, a companhia vai subir ao palco para apresentar, pela primeira vez, o espetáculo "O Espírito da Rã Azul e outros contos", que tem como base histórias tradicionais "da China e do Japão". "São histórias fantasmas que nascem de um jogo popular ancestral, que são os contos Kaidanes."
A peça pode ser vista de 14 a 22 de fevereiro, no Chapitô, na Costa do Castelo, em Lisboa.
Fundada há 45 anos, Chapitô é uma organização não governamental que tem como missão pôr a arte ao serviço da inclusão. Tem vários projetos de ação social, cursos de formação de artistas, uma das escolas de circo mais antigas do país e a companhia de teatro.
