Surdolímpicos regressam "orgulhosos" e com ambição: "O próximo objetivo é ter ainda melhores resultados"

Rita da Silva Vieira/TSF
A chegada ao Aeroporto de Lisboa foi um momento de emoção com familiares e amigos. A comitiva portuguesa teve os melhores resultados de sempre
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No Aeroporto de Lisboa, os familiares e amigos da comitiva portuguesa de Surdolímpicos esperava com expectativa a chegada dos atletas. Com cartazes, flores e sorrisos na cara, tudo estava pronto para abraçarem quem chegava de Tóquio, com uma escala em Istambul. Assim que apareceram na zona de chegadas do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, os sorrisos aumentaram e os braços abriram-se para o reencontro.
"É um orgulho imenso, estou muito feliz porque ela está feliz. Ela já ia com expectativa de ganhar uma medalha e ainda as superou. Estamos muito contentes por isso", contou à TSF Rogério Silva, pai orgulhoso de Margarida Silva, que conquistou duas medalhas de ouro e uma de bronze no atletismo. A atleta é o foco de todas as atenções, com as três medalhas conquistadas bem expostas ao peito.
"Foi uma experiência incrível. Conheci pessoas que são parecidas comigo, portanto, numa realidade muito inclusiva. Foi uma oportunidade de sentir validade ao nível da minha surdez e, depois, a nível desportivo enquanto pessoa surda. Acho que foi 'top'", descreve a sorridente Margarida Silva à TSF. "Acho que a visibilidade foi boa, quanto mais tivermos, melhores condições vamos ter para atingir patamares maiores. O próximo objetivo é ainda ter melhores resultados", sublinha a atleta que agradece ainda ao Governo o apoio que foi dado durante a competição.
Já Tiago Neves, nadador, não conseguiu conquistar nenhuma medalha este ano, mas conta à TSF, com a ajuda de uma intérprete, o sentimento de ter estado integrado na comitiva. "Somos uma família. Estivemos do outro lado do mundo, mas sentimos o apoio dos portugueses e das nossas famílias. Não sentimos fronteiras, foi tudo muito positivo", elogia. "Nunca nas participações nos Surdolímipicos tínhamos tido membros do Governo, como agora. Sentimos que não havia limites e barreiras, e que éramos importantes e isso foi extraordinário", sublinhou.
Com também uma medalha de ouro "bastante pesada" ao peito, Joana Santos, judoca, diz que não sabe descrever a forma como se sente. "Estive sempre muito tranquila, queria ficar no pódio. Tive muito cuidado com a comida, para não ganhar peso a mais. No dia da competição estava relaxada e senti muito o apoio que veio de fora. O meu objetivo era sempre chegar à fase seguinte e, quando percebi que estava na final, percebi que isto não era uma brincadeira, estava mesmo na final! E a partir daí só estava a lutar pelo ouro. Depois, fiquei sem palavras e tenho de agradecer a todos os que me apoiaram. A medalha vale muito para toda a comunidade surda".
Outro dos medalhados foi André Soares, que venceu prata e bronze no ciclismo, apesar de ter tido uma queda na corrida por pontos que "impossibilitou em estar na minha melhor forma". Ainda assim, faz um balanço muito positivo da competição. "Caímos e temos de nos levantar, e aprendemos muito com tudo o que aconteceu. Estamos muito felizes com esta receção aqui e com o apoio que nos tem sido dado", concluiu.
Para Susana Lourenço, chefe da comitiva portuguesa, toda esta participação é um "motivo de grande orgulho". "Tivemos os melhores resultados de sempre, estou muito orgulhosa. Nós não podíamos ir com altas expectativas, mas tínhamos fé na equipa e que íamos conseguir medalhas, mas os resultados foram extraordinários. Seis medalhas é um feito único, é de arrepiar!", contou à TSF, elogiando o convite feito por Marcelo Rebelo de Sousa para a missão surdolímpica ser recebida em Belém: "É um momento muito importante para todos."
Portugal conquistou seis medalhas nos Surdolímpicos: três de ouro, uma de prata e duas de bronze. Foi a melhor participação de sempre de Portugal.
