Álvaro Sobrinho desmente Salgado e garante que conhecia a dimensão do buraco financeiro do Banco

Luís Manuel Neves / Global Imagens
O antigo presidente do BES Angola (BESA), desmentiu esta tarde Ricardo Salgado. Na comissão de inquérito à gestão do Banco e do Grupo Espírito Santo, Ricardo Salgado disse, no início deste mês, que nada sabia sobre os problemas do BESA e que só mais tarde descobriu uma «situação pavorosa» e um buraco de milhões.
Esta tarde Álvaro Sobrinho disse que reunia mensalmente com Ricardo Salgado, garantiu que ele sabia de tudo e ironizou sobre o facto de a situação ter sido divulgada «em período de férias».
Álvaro Sobrinho garante que nunca saíram do BES em Portugal os 3 mil e 300 milhões de euros da linha de crédito do BES ao BESA.
O antigo responsável pelo BESA afirma que todas as operações eram feitas no BES e que o dinheiro nunca saiu de Portugal. Questionado pela deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, Álvaro Sobrinho recusou responder sobre origem do seu património por considerar uma matéria pessoal mas afirmou fazer parte de uma «família com posses».
O antigo presidente executivo do BES Angola garantiu que um sinal de 85 milhões de dólares sobre o acordo de venda da Escom chegou à Espírito Santo Resources, mas assevera não saber o destino do dinheiro.
«Quem recebeu [o dinheiro] foi a ES Resources», declarou Sobrinho no Parlamento, na comissão de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), onde está a ser ouvido. O sinal, de 85 milhões de dólares, foi recebido pela 'holding' responsável pelos investimentos não financeiros do Grupo Espírito Santo, advogou Sobrinho.
O antigo presidente do BES Angola admitiu hoje ter tido conhecimento da prenda de 14 milhões de euros que foi oferecida pelo construtor José Guilherme a Ricardo Salgado, revelando mesmo ter ordenado o pagamento.
«Não só tive conhecimento, como a operação foi ordenada pelo senhor José Guilherme e fui eu o responsável pela operação». Quando o líder do BES Ricardo Salgado foi ouvido pelos deputados, no início da semana passada, escusou-se a falar em detalhe da prenda do «foro pessoal» que recebeu do construtor, alegando o Segredo de Justiça, já que é arguido no processo Monte Branco.
O antigo presidente executivo do BES Angola assumiu ainda culpas em problemas de liquidez naquela entidade, reconhecendo que «poderia ter feito melhor», mas apresentando números sobre a carteira de créditos do banco após a sua saída. «Sou culpado, sou responsável, e se pudesse voltar atrás, se calhar poderia ter feito melhor».
No que refere ainda ao BESA, Sobrinho trouxe ao parlamento «factos» que asseveram que a carteira de crédito da entidade estava nos 6,7 mil milhões de dólares aquando da sua saída, no verão de 2012, e em junho do ano passado a mesma estava nos 9,2 mil milhões. «Se o banco estava tão mau, se o rácio de transformação era péssimo, como se justifica este crescimento, com os depósitos a decrescerem?», questionou.
O antigo presidente executivo do BES Angola Álvaro Sobrinho disse hoje que o ex-presidente do BES Ricardo Salgado e o antigo presidente da administração do BESA Ricardo Abecassis não sabiam «tudo», mas conheciam a estratégia do banco. Álvaro Sobrinho, disse também que as declarações de Ricardo Abecassis trazidas à comissão de inquérito sobre o seu poder em Angola estão no campo da psicanálise. «Não compreendo estas reações. É como lhe digo: é objeto de psicanálise».
O responsável respondia a uma questão do deputado do PSD Carlos Abreu Amorim, que citou notícias com declarações de Abecassis - que foi presidente do conselho de administração do BESA - onde este acusava Sobrinho de «comprar toda a gente que foi para Angola».
Os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES) vão ser interrompidos após as audições previstas para segunda-feira, sendo retomados somente a 05 de janeiro.