Associação aberta à ideia de incluir jornais na distribuição diária de medicamentos

Créditos: TSF
Incluir a distribuição de jornais no circuito de entrega diária de medicamentos é apenas uma ideia deixada na TSF pelo presidente da ADIFA. Questionado sobre se o setor estaria aberto a tal sinergia, Nuno Flora admite que o tema já foi abordado e são sinergias possíveis, até pela poupança de emissões com viagens
Numa atividade que dá emprego a mais de duas mil pessoas, conta com 26 plataformas logísticas, mais de 600 veículos e 400 fornecedores e que faz duas entregas diárias em farmácias, num circuito de distribuição de norte a sul do país, o presidente da Associação de Distribuidores Farmacêuticos (ADIFA), Nuno Flora, mostra abertura a sinergias com outros setores, como a distribuição de jornais no interior do país. Garante que o tema já foi abordado e deixou a ideia no ar, lembrando que já faz recolha de radiografias e medicamentos fora de prazo e até distribui livros pelas comunidades locais.
Numa altura em que a distribuição de jornais está seriamente ameaçada, depois da distribuidora VASP ponderar cortar rotas devido à inviabilidade financeira, gerando preocupação em autarcas e reguladores, que veem o problema como uma questão de serviço público e acesso à informação, e com o Governo a procurar soluções através de concursos públicos para garantir a cobertura nacional, Nuno Flora considera que esta é uma questão interessante, até porque "o facto de a distribuição farmacêutica existir já permite reduzir emissões de Co₂ cerca de 112 vezes aquilo que seria a distribuição direta".
Mas as prioridades são outras. Face à escassez de medicamentos, ruturas cíclicas de stocks e suspensões temporárias de lotes, a ADIFA traçou cinco eixos estratégicos de atuação para 2026, que passam pela reclassificação de medicamento, a criação de um mecanismo para nivelar preços, a distribuição de novas vacinas, a entrada na lista de entidade crítica e nova regulação europeia e nacional para estatuto profissional.
Nuno Flora mostra abertura ao diálogo com o Ministério da Saúde sobre a forma de criar, já a partir deste ano, um mecanismo de atualização automática de preços dos medicamentos, por exemplo, indexado à inflação e levando em linha de conta os custos dos genéricos e as verbas que poderiam ser investidas em medicamentos inovadores.
Recorda que o novo regime de dispensa de medicamentos em proximidade (em vez de ser no hospital, ser nas farmácias) é um projeto que começou há ano e meio, mas admite que está aquém das expetativas, por ser preciso tempo para a mudança, até de mentalidades.
O presidente da ADIFA quer ainda uma reclassificação de medicamentos, depois de um estudo encomendado pela associação indicar que mais de 80% do que é prescrito de forma restrita pelo médico poder passar para o domínio das farmácias, tal como já acontece na Europa, garantindo que estão em conversações com o Ministério da Saúde sobre esta matéria, mas ainda não sabe que categorias de fármacos podem ser reclassificados.
Quanto às vacinas, recorda que o setor distribuiu mais de três milhões de doses em 2025. Agora, quer introduzir novas vacinas que possam estar disponíveis nas farmácias e não depender do SNS, mas também está aberto a fornecer rastreios, incluindo cancro colorretal.
Depois do compromisso político entre Conselho e Parlamento Europeu de revisão da legislação farmacêutica europeia no sentido de mitigar o problema da escassez de medicamentos, diz que chegou a hora de, a nível nacional, a regulação prever um estatuto próprio para os distribuidores profissionais de medicamentos, em especial pela resposta de prontidão quando faltam fármacos.
Nuno Flora considera que a distribuição de medicamentos já é considerada atividade essencial, por isso, quer fazer parte da lista de organizações com o estatuto de "Entidade Crítica", que será atualizado até julho, para responder a incidentes e catástrofes em articulação com a Proteção Civil.
Espera que o setor cresça entre 8 a 9% este ano, mantendo a média dos últimos anos, assegurando que o investimento em saúde vai manter-se, quer a nível publico, quer privado, porque o envelhecimento da população assim o exige.
