Da taxa de ocupação à habitação: Governo quer desmistificar "mitos urbanos" sobre turismo na nova estratégia nacional

Créditos: Paulo Spranger (arquivo)
No Estoril, Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, defende que não há turistas a mais em Portugal, sublinhando a existência de folga e capacidade hoteleira em Portugal para receber mais visitantes
A nova Estratégia Nacional do Turismo para a próxima década quer desmistificar aquilo que o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, chama "mitos urbanos", a começar pela ideia de que Portugal já não aguenta mais visitantes.
"Há muitos estabelecimentos cuja taxa média anual de ocupação está praticamente nos 50%", argumenta.
Com a nova estratégia, o Executivo liderado por Luís Montenegro pretende também criar as condições necessárias para que o fluxo turístico, à medida que vai crescendo, possa ir ao encontro das regiões com um "produto turístico significativo". O objetivo é complementar a oferta dos destinos mais tradicionais - Lisboa, Madeira, Algarve -, expandindo assim as áreas exploradas.
Questionado pelos jornalistas, no Estoril, sobre se isto significa que as autarquias serão aconselhadas a praticar taxas de alojamento, Pedro Machado afirma apenas que esta é uma medida da "responsabilidade exclusiva dos municípios". Em todo o caso, ressalva que esta despesa deve contribuir para "melhorar a qualidade da experiência turística".
"Essa é que é, para mim, a questão: de que forma é que os municípios hoje, quando cobram a taxa turística, quais são as benfeitorias que de alguma forma servem melhor o turista nacional, o turista português, mas também os turistas internacionais", explica.
Para o secretário de Estado do Turismo ainda um outro mito por desvendar. "O turismo não é o responsável pela falta de habitação em Portugal", assegura, completando que o setor, em muitos casos, permite "qualificar casas, aldeias e centros históricos".
"Encontraram no turismo não só um modelo de negócios, uma fonte de financiamento, mas também contribui para podermos recuperar pequenos negócios que tinham desaparecido ou até a própria vigilância. Pessoas na rua, mais pessoas na rua, significa aumento da segurança das pessoas de transitam", defende.
Pedro Machado sublinha também que o turismo é uma alavanca para o desenvolvimento de outros setores da economia portuguesa.