Despedimento coletivo de 163 trabalhadores na Yazaki Saltano: ministra ainda não recebeu carta enviada pelo sindicato

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Maria do Rosário Palma Ramalho afirma que, em Portugal, "os despedimentos são neste momento baixíssimos", ressalvando que isto "não significa que não se dê a atenção a cada um deles". O número de trabalhadores efetivamente despedidos em processos de despedimentos coletivos aumentou 16,4% até outubro de 2025 face ao período homólogo
A ministra do Trabalho garante que ainda não recebeu a carta enviada pelo Sindicato das Indústrias Transformadoras do Centro Norte devido ao despedimento coletivo na empresa japonesa Yazaki Saltano. Maria do Rosário Palma Ramalho sublinha, contudo, que os despedimentos em Portugal "são baixíssimos".
A multinacional notificou na quinta-feira a dispensa de 163 trabalhadores, com efeitos imediatos. Este despedimento ocorreu sete meses depois do último corte de pessoal que afetou 304 pessoas. Os trabalhadores receberam indicações para não se apresentarem ao serviço na fábrica em Ovar já esta sexta-feira, pelo que o sindicato enviou uma carta ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social a expôr a situação.
Em declarações aos jornalistas, a ministra do Trabalho assegura que ainda não lhe chegou "nenhuma carta". Ainda assim, resalva que atualmente os despedimentos em Portugal são "baixíssimos".
"Felizmente, em Portugal, os despedimentos são neste momento baixíssimos, o que não significa que não se dê a atenção a cada um deles, porque cada pessoa que perde o seu posto de trabalho, obviamente, fica numa situação de fragilidade", reconhece.
E é neste sentido que destaca a política de intervenção do IEFP na "primeira hora" em casos como estes. "Quando há qualquer despedimento coletivo, o IEFP não espera por ser contactado pelos trabalhadores abrangidos. Vai às empresas e vê o que é que o que é que se pode fazer", afirma. A taxa de recolocação destes trabalhadores em Portugal, acrescenta, "é muito alta".
O número de trabalhadores efetivamente despedidos em processos de despedimentos coletivos aumentou 16,4% até outubro de 2025 face ao período homólogo, totalizando os 5774, superando o total de todo o ano passado.
Já quando questionada sobre se teme que o novo Presidente da República vete as alterações à lei laboral propostas pelo Governo da AD, Maria do Rosário Palma Ramalho vinca que, em primeiro lugar, o novo chefe de Estado terá "de conhecer aquilo que vier a ser a proposta de lei", que está "longe de estar terminada".
"Neste momento temos um anteprojeto que está em fase de negociação na concertação social. Esse anteprojeto terá mais tarde que vir a ser convertido num projeto de lei, irá à Assembleia [da República] e na Assembleia também com certeza levará os contributos de todas as bancadas. Portanto, é muito difícil e um pouco estranho até ouvir certos candidatos a dizer que vetam uma coisa que nem sabem o que é", atira.

