Temporal: CGTP denuncia que há trabalhadores "forçados a gozar férias" e pede garantias a empresas apoiadas

Tiago Oliveira
Créditos: Miguel A. Lopes/Lusa (arquivo)
A central sindical liderada por Tiago Oliveira pede que o Governo "ponha os pés a caminho"
A CGTP denunciou esta terça-feira que há trabalhadores "a ser forçados a gozar férias e a ir para casa sem certeza no dia de manhã". A central sindical quer garantias a empresas apoiadas, depois da passagem da depressão Kristin, alertando para a "fragilidade" daqueles que têm "vínculos de trabalho precários".
"Os trabalhadores com vínculos de trabalho precários são aqueles que estão em situação de maior fragilidade. Temos indicações de trabalhadores que estão a ser forçados ao gozo de férias, de trabalhadores que estão a ser forçados a ir para casa sem certeza no dia de amanhã. Neste momento, devemos exigir às entidades competentes a fiscalização e o acompanhamento de todos os processos. É, de facto, um momento muito difícil", declarou o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, em declarações à TSF.
"Se o Governo está a avançar com um conjunto de apoios às empresas, esses apoios devem prever a manutenção dos postos de trabalho, assim como os seus rendimentos", sublinhou, reiterando a "preocupação" por estas situações,
Tiago Oliveira considerou que "aquilo que é preciso é que o Governo ponha os pés a caminho".
Na segunda-feira, a CGTP já tinha alertado para o lay-off simplificado, considerando que este "prejudica os trabalhadores" dado que implica "perdas salariais significativas" e defendeu que a isenção de contribuições para a Segurança Social não deve ser usada "como instrumento de apoio às empresas".
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após uma reunião do Conselho de Ministros, até dia 8 de fevereiro.
