"Não participei nos 25 créditos que geraram perdas para a Caixa"

Governador do Banco de Portugal garante que não teve qualquer participação nos 25 grandes créditos identificados pela auditoria à Caixa.

"Não está associada a minha passagem pela CGD, a minha participação em nenhuma das 25 exposições gerou grandes perdas para a Caixa. Esta é que é a questão", defendeu o governador. Questionado sobre se não existem, então, razões para a sua exoneração, Carlos Costa considerou que tal é "evidente." "Se alguém consegue demonstrar o contrário, os procedimentos estão previstos no tratado e pode acioná-los. Terei todo o gosto em mostrar a falsidade que resulta dessa argumentação."

"O que foi reembolsado foi o crédito onde eu estive", assegurou Carlos Costa em entrevista na SIC Notícias. O governador, que esteve na Caixa entre 2004 e 2006, período durante o qual foram concedidos alguns empréstimos que mais tarde se revelariam ruinosos, garante que "os créditos mencionados na auditoria independente foram créditos em que não participei".

Carlos Costa insiste, para "que fique claro: nos 25 grandes créditos que geraram perdas e imparidades para a Caixa, eu não participei na decisão do conselho alargado de crédito".

"Só ocasionalmente participava no Conselho Alargado de Crédito, dado que não tinha nem competências de crédito, nem de acompanhamento de clientes, nem de risco, nem de controlo", explicou Carlos Costa, adiantando que a sua participação servia apenas para assegurar "o número de administradores necessários para que a decisão pudesse ter lugar."

"Nunca presenciei qualquer atitude ou qualquer movimento que lesasse os interesses da CGD do ponto de vista da concessão de créditos", assegurou. Questionado sobre a sua participação na reunião de 27 de julho de 2006, na qual foi aprovado o financiamento à Vale do Lobo, o ex-administrador da CGD garante que essa decisão foi tomada num conselho em que não estava presente. Ainda assim, confirma que esteve presente na reunião em que foram discutidas as "condições em que a CGD poderia participar numa operação de financiamento de uma eventual aquisição da Vale do Lobo", na qual ainda não eram conhecidos candidatos a essa mesma aquisição.

Questionado sobre se esta reunião poderia ter sido a génese da atribuição do crédito de 200 milhões de euros, Carlos Costa garante que a operação aprovada "não tinha nem tem nada a ver com a operação e princípios estabelecidos para uma eventual participação da Caixa", pelo que a reunião terá servido apenas para que o banco se preparasse para esse processo.

Mais tarde, Carlos Costa veio a passar férias no empreendimento, mas garante que não tem qualquer ligação ao mesmo e que não obteve qualquer vantagem financeira. "Não tinha nada a ver com a Vale do Lobo porque não estive na concessão de crédito àquele empreendedor. Tinham passado sete e oito anos, o que significa que não tinha nada a ver, nem ele tinha nada a ver comigo, e a compra desse serviço - aluguer de uma semana - foi feita em mercado, através dos serviços comerciais", assegurou.

"Não, não sou amigo. Eu transitei de uma administração nomeada pela ministra Manuela Ferreira Leite para uma administração que foi nomeada pelo ministro Bagão Félix e depois para uma administração nomeada pelo professor Teixeira dos Santos. As pessoas que integraram as equipas, integraram-nas em função do convite para permanecer ou não", explicou Carlos Costa acerca das suas nomeações para as administrações do banco público.

Carlos Costa ficou ligado à história financeira do país quando decidiu o fim do Banco Espírito Santo mas entende que, apesar do custo da operação - com as recapitalizações do Novo Banco -, ter sido muito mais alto do que previa, não põe em causa a sua competência para o cargo.

"Não põe, não põe. O volume de imparidades tem que ser visto em função do momento em que são calculadas. Todos os bancos estão, todos os anos, a constituir imparidades suplementares. Segundo, quando se entra num banco num fim de semana, não se descobre tudo o que lá está. Só ao fim de algum tempo é que se consegue descobrir o que lá está. Terceiro, a lei permite - e por isso é que está estabelecido - que o período para fechar o processo é largo, porque não se descobre tudo o que está no ativo e com problemas a não ser à medida que o tempo vai passando", relembra.

Em suma, Carlos Costa garante que dorme descansado. "Não tenho nenhum problema de consciência porque desenvolvi a minha atividade com a diligência e a boa fé que é própria da minha atividade ao longo do tempo."

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