
Timóteo na noite eleitoral do PAN
TSF/Miguel Videira
Pela primeira vez na história do movimento PAN - Pessoas, Animais, Natureza, o partido conseguiu eleger um deputado. Foi preciso esperar quase até à uma da manhã para festejar.
"Nunca um F5 foi tão carregado na vida". A afirmação de um dos apoiantes do PAN (Pessoas Animais Natureza) retrata boa parte da noite eleitoral na sede deste movimento. Várias pessoas agarradas aos portáteis, "tablets" ou telemóveis a refrescar de forma quase obsessiva as páginas de internet onde era possível acompanhar os resultados das eleições. Os primeiros festejos surgiram por volta das 23h quando o movimento ultrapassou a barreira dos 50 000 votos. "Significa que já temos direito à subvenção partidária", explicava um dos dirigentes que alertava ao mesmo tempo para a importância desta fonte de financiamento para uma pequeno partido como o PAN. Mas o objectivo principal era mesmo eleger um deputado.
André Silva, porta-voz do movimento, cabeça de lista por Lisboa, esteve boa parte da noite recolhido no rés-do-chão da sede a acompanhar a evolução do dos resultados. Apesar de algumas sondagens terem atribuído logo às 20h um deputado ao PAN, o candidato optou pela prudência. "Só depois de haver uma confirmação oficial é que ele falará", explicava Francisco Guerreiro em nome do partido.
[twitter:650789924904546304]
Na sala, cá em cima, para além dos apoiantes do PAN estavam "Olívia" e "Timóteo", a cadela de Cristina e o cão de Manuela que de forma pachorrenta se passeavam ,quer pela sala, quer pela zona da rua junto à porta. O ar dócil valeu-lhes festas sem conta. Tempo era o que não faltava.
Por volta da 00h20, surgia no sítio da internet do Ministério da Administração Interna a informação de que faltava apenas contar os votos da freguesia de São Domingos de Benfica. Ainda sem o deputado eleito, as contas desta mesa eram decisivas para determinar se o PAN conseguia, ou não, entrar no parlamento. Roiam-se unhas, passava-se a mão pela cabeça, suspirava-se, sentava-se, levantava-se, fumava-se, perguntava-se, uma e outra vez, se já estava, mas não, ainda não estava. Até que, por volta da 00h45, ecoaram pela sede do PAN gritos de alegria. Seguiram-se os abraços, os beijos e até as lágrimas. Já era oficial. André Silva tinha sido eleito deputado pelo círculo de Lisboa.
[twitter:650821227511156738]
"Pela primeira vez um movimento político que defende a causa animal, o fim do antropocentrismo e de todas as formas de discriminação entra no parlamento". A primeira frase de André Silva no discurso que dirigiu aos apoiantes galvanizou a sala. O dirigente do PAN explicou depois que "defender os animais não-humanos, os seres que estão no fim da linha da proteção e do bem-estar , é para nós, mais do que um orgulho, a expressão maior da dignidade humana". Ao discurso carregado de emoção respondiam os apoiantes com gritos efusivos. André Silva prosseguiu com críticas ao modelo económico vigente. "Vivemos uma utopia económica de crescimento infinito à custa de recursos que são finitos".
O novo deputado esclareceu depois aos jornalistas que não fecha as portas ao entendimento com nenhum partido, questionado sobre se admite trabalhar com a coligação "Portugal à frente ". "O PAN senta-se, vai sentar-se e pode sentar-se com todas as forças para negociar. De qualquer das formas penso que ainda é precoce e penso que, neste momento, as coisas estão do lado do senhor presidente da república e dos principais partidos, com maior expressão. Mas o PAN vai fazer parte da solução e cumprirá responsavelmente o mandato que os portugueses lhe conferiram".
A seguir abandonou o palanque ao som de: "O PAN no parlamento, este é o momento".